Danielle Brant. Rio de Janeiro, 25 out (EFE).- A noite desta sexta-feira no palco 3 do Tim Festival, que teve como cenário a Marina da Glória, no Rio de Janeiro, foi repleta de surpresas, já que as duas bandas que tocaram - The National e MGTM - nunca haviam se apresentado no Brasil, e tinham em comum apenas o fato de serem do Brooklin (Nova York) e de terem ficado famosas graças ao mesmo meio que popularizou tantos grupos nos últimos anos: a internet.

As semelhanças, porém, terminam aí. Isso porque a National era bem menos conhecida que a MGMT, a mais aguardada pelo público, apesar de ter uma carreira relativamente menor - o grupo de Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden tem dois álbuns lançados ("Climbing to New Lows", de 2005, como The Management, e "Oracular Spetacular", de 2007), enquanto o de Matt Berninger tem quatro ("The National", de 2001, "Sad Songs for Dirty Lovers", de 2003, "Alligator", de 2005, e "Boxer", de 2007).

No entanto, uma coisa os dois grupos tiveram em comum: agradaram em cheio ao público que compareceu ao palco "Ponte Brooklin". A maioria dos fãs tinha ido assistir à MGMT, e decidiu entrar antes para ver o show da National, já que ambas são bem diferentes nos estilos musicais. Enquanto a primeira tem como trunfos a guitarra poderosa, o toque de música eletrônica e a voz fina, mas potente, de VanWyngarden, a segunda faz uso de instrumentos não tão associados ao rock como violino, trompete e trombone, e das cordas vocais de barítono de Berninger - ou Matt, como é mais conhecido pelos fãs.

Os fãs que foram conferir o show da National não ficaram decepcionados, já que a banda tocou 13 canções, sendo nove de seu CD mais recente, "Boxer", e as outras quatro de "Alligator". Cerca de 300 pessoas foram incendiadas por Matt e o resto do grupo, que abriram a apresentação com "Start a War", arrematada pelo som do violinista - e tecladista, em algumas canções - Padma Newsome, completamente arrebatador.

Aliás, arrebatador é um bom adjetivo para qualificar o grupo, que fez um show impecável. Além da mistura de instrumentos, a National é conhecida por suas letras, mais intimistas e pessoais, falando de assuntos como desilusão, amor e até mesmo política, já que a banda é bem engajada, defendendo publicamente o voto no candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama.

Mas o dia não foi de política, e a descontração e bom humor deram a tônica do show, com uma interação empolgante entre integrantes e fãs. Cumprindo o manual de bom visitante, o vocalista aprendeu algumas palavras em português - "Obrigado" foi a mais usada -, brincou com o público - com pérolas como "eu não sabia que éramos tão conhecidos no Brasil", e "obrigado, internet"-, e, mais que tudo, conquistou a maioria das pessoas que só tinha ido assistir à MGMT, e acabou sendo contagiada pelas baladas e pelo rock leve da National.

Em uma hora de show, que começou às 23h (de Brasília), o grupo entoou seus maiores sucessos. Após a música inicial, Matt, os irmãos Aaron e Bryce Dessner e Scott e Bryan Devendorf seguiram com "Brainy", "Secret Meeting" - bastante acompanhada pelo público - e "Baby, We'll Be Fine".

Em "Slow Show", o som apresentou problema, mas, em vez de atrapalhar, isso acabou aproximando o público da banda. O grupo continuou com "Squalor Victoria" e "Abel", muito bem recebidas pelos fãs, que só dispersaram ligeiramente com "Racing Like a Pro", mas voltou a dar toda atenção à National com "Mistaken for Strangers".

Depois, foi a vez de "ADA" e "Apartment Story", após a qual Matt ganhou uma bandeira do Brasil, que foi amarrada em seu pescoço e usada como um cachecol.

O grupo terminou sua apresentação com os sucessos "Fake Empire" e "Mister November", quando desceu para cantar com o público, arrebatando de vez o coração dos fãs e conquistando, no mínimo, a simpatia dos que não conheciam a National.

A seguir foi a vez da MGMT, visivelmente mais cheio que o show da National, mas que, proporcionalmente, acabou empolgando menos a massa de fãs. Uma curiosidade da banda é que todos os integrantes se apresentaram descalços. O grupo faz um estilo mais tradicional de rock, com muita guitarra, mesclada com arranjos eletrônicos.

A MGMT tocou dez músicas e começou com "4th Dimensional Transition", empolgando o público de cara, seguindo com "Pieces of What", "Of Moons, Birds and Monsters" e "Weekend Wars".

O mesmo cursinho de intensivo de português de Matt Berninger foi freqüentado por Andrew VanWyngarden, que falou frases como "Olá, Rio" e "Obrigado". O vocalista ainda agradou os fãs após dizer: "Nós estamos muito felizes de estar aqui no Rio".

O grupo seguiu com "The Youth", "Electric Feel", o single "Metanoia", e depois cantou seu maior sucesso, "Time to Pretend", da trilha do filme "Quebrando a Banca". Por fim, a banda tocou "The Handshake" e se soltou na saideira, "Kids", na qual interagiu com o público de uma forma não vista durante o show inteiro, quando Vanwyngarden se mostrou contido e até tímido. Enfim, duas apresentações memoráveis, mas, pesando na balança, a National teve mais pontos positivos e saiu ganhando, principalmente em novos adeptos. EFE rd/db

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