National Gallery dedica exposição a falsificações e erros de atribuição

Joaquín Rábago. Londres, 15 abr (EFE).- A National Gallery anunciou hoje uma mostra original: serão expostas falsificações, erros de atribuição e autorias descobertos graças à aplicação das últimas tecnologias no estudo das obras de arte.

EFE |

O departamento científico do museu, fundado em 1934 e atualmente na vanguarda na análise dos materiais e técnicas da pintura, desenvolveu uma câmara de raios infravermelhos com um sensor móvel, batizada de Osiris, que permite um estudo em profundidade dos quadros na busca de detalhes que corroborem ou desmintam determinada autoria ou datação.

Os raios X, o infravermelhos, a microscopia eletrônica, a espectrometria de massas e outras técnicas "não invasoras" proporcionam aos especialistas informações valiosíssimas sobre os pigmentos, lacas e demais materiais utilizados, assim como sobre as práticas dos pintores e a transformação que as obras de arte sofrem inevitavelmente com a passagem do tempo.

A National Gallery propôs submeter praticamente todos os quadros que integram seu coleção a análise, tarefa que levará ao menos 20 anos, e cujos os resultados serão publicados periodicamente em um boletim técnico destinado aos especialistas.

A "Close Examination" (Exame de perto, em tradução livre), título da exposição londrina, poderá ser visitada do dia 30 de junho ao dia 12 de setembro de 2012. Segundo seus organizadores, o público poderá ver as histórias fascinantes de mais de 40 quadros da coleção própria do museu.

A primeira sala será dedicada às falsificações e enganos, como aquele de que foi vítima o próprio museu ao comprar em 1923 uma obra que se acreditava ser do século XV, intitulada "Retrato de Grupo" e que mostrava algumas pessoas de perfil, supostamente o duque de Urbino, Federico de Montefeltro, e seus dois filhos, mas que se revelou falsa ao se descobrir que tinha sido pintada com pigmentos não disponíveis antes do século XIX.

A segunda seção, chamada de "Transformações e Modificações", reunirá obras que sofreram alterações ao longo da história, porque alguém tratou de adaptá-las aos novos gostos de uma época, para dar, por exemplo, outra identidade ao personagem retratado, ou por qualquer outro motivo.

Assim, por exemplo, um retrato de Alexander Mornauer, de um artista alemão desconhecido da segunda metade do século XV, foi alterado com a intenção de fazê-lo parecer com a obra de Holbein, o que aumentava o seu valor.

O exame microscópico de algumas seções do quadro revelaram não só que uma camada de pintura azul foi aplicada ao fundo marrom original, mas que o chapéu também foi modificado.

Outra sala da exposição será dedicada a erros de autoria, como a obra intitulada "Homem com crânio", que a National Gallery adquiriu em 1854 como um original de Holbein e que, segundo se descobriu depois ao analisar a antiguidade da madeira do marco, é posterior à morte desse artista.

Os especialistas da galeria fizeram descobertas interessantes. A restauração do quadro "Nossa Senhora e o menino com dois anjos", por exemplo, adquirido inicialmente como uma obra de Domenico Ghirlandaio e atribuído depois à oficina de Andrea do Verrocchio permitiu aos especialistas determinar finalmente que o próprio Verrocchio pintou a Nossa Senhora, um dos anjos e a paisagem do fundo, enquanto o resto da obra é de seu ajudante Lorenzo diz Credi.

A pintura "Um Soldado Morto", uma alegoria sobre a inexorabilidade da morte, com um cadáver estendido no solo e outros elementos simbólicos como ossos e caveiras humanas, que se achava que era de Velázquez e que inspirou Manet em seu "Toureiro morto", se atribui agora a um artista italiano influenciado pelo mestre espanhol.

Em 1874, a National Gallery comprou dois Botticelli, ao menos foi o que achou. Enquanto o quadro "Vênus e Marte" é seguramente um original, o outro, intitulado "Uma Alegoria", comprado junto, é um pastiche, obra de um imitador do grande renascentista italiano.

Finalmente a ultima seção será dedicada a notícias mais positivas para o museu, como a descoberta de que a deliciosa "Virgem dos Cravos", que se pensava que era uma cópia de Rafael, é realmente uma obra sua, e que a paisagem de Caspar David Friedrich, "Inverno", considerada uma cópia de outro quadro conservado em Dortmund, é obra do grande pintor romântico alemão. EFE jr/pb

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