Natal: mensagens pela paz na Palestina e de esperança pela crise

A guerra e a crise econômica pautaram as mensagens natalinas de várias autoridades, desde o Papa Bento XVI até o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama.

AFP |

Durante a misa do Galo, celebrada no Vaticano, Bento XVI rezou "para que a paz chegue a Belém", cidade onde segundo a tradição cristã aconteceu o nascimento de Jesus Cristo e que o Sumo Pontífice pode visitar em maio de 2009.

Diante de milhares de fiéis reunidos na basílica de São Pedro, o Papa convocou os cristãos a rezar "para que a paz chegue a Belém, para que cesse todo o ódio e a violência" no país onde "Jesus viveu e que ele amou profundamente", em alusão à antiga Palestina, hoje dividida entre vários estados do Oriente Médio.

"Rezamos para que se desperte a compreensão recíproca, para que se dê uma abertura de corações que abra as fronteiras", acrescentou o Papa, na quarta missa de Natal de seu pontificado, com uma voz cansada, aos 81 anos.

O Vaticano ainda não confirmou oficialmente a viagem de Bento XVI à "Terra Santa" (Jordânia, Israel, Territórios Palestinos), que fontes israelenses e palestinas já anunciaram para o próximo mês de maio.

"Temos a alegria de anunciar que Vossa Santidade o Papa Bento XVI tem o projeto de vir em peregrinação à Terra Santa no mês de mayo", anunciou na terça-feira o patriarca latino de Jerusalém, monsenhor Fuad Twal.

"A paz é um direito de todos os homens", disse na quarta-feira o monsenhor Twal durante seu sermão na missa do Galo celebrada em Belém, Cisjordânia.

"A paz é um direito para todos os homens e também a solução para todos os conflitos e todas as divergências. A guerra não produz paz nem segurança", completou na Igreja franciscana de Santa Catarina, junto à gruta onde, segundo a tradição cristã, nasceu Jesus.

Na terça-feira, o patriarca latino de Jerusalém criticou duramente o muro que Israel está construindo na Cisjordânia e a situação na Faixa de Gaza, submetida a um bloqueio do Estado hebreu.

A violência aumentou desde o fim, sexta-feira passada, de uma trégua entre Israel e o movimento radical palestino Hamas, que governa Gaza.

Desafiando o tempo ruim, milhares de cristãos invadiram na quarta-feira as ruas de Belém.

Nos Estados Unidos, o presidente eleito Barack Obama, que assumirá o poder em 20 de janeiro, pediu ao povo americano que empurre a "roda da História" para trazer dias mais brilhantes e deixar para trás as penúrias da atual crise econômica.

A 27 dias de assumir o poder, Obama falou de maneira comovente sobre os militares americanos, homens e mulheres, que prestam serviço fora do país, enquanto seus filhos recebem, maravilhados, os presentes de Natal, em casa.

Obama disse que "a temporada natalina" deve ser um momento de unidade para criar um novo espírito comum nacional para os americanos.

"Todos temos de fazer nossa parte para servir os demais, para buscar novas idéias e para começar um novo capítulo para nosso grande país", declarou Obama, em seu discurso de Natal.

"Esse espírito guiará minha Administração no Ano Novo. Se os americanos se unirem e ajudarem a empurrar a roda da História, então, acredito que poderemos pôr nossa gente de novo para trabalhar e dirigir nosso país para uma nova direção", garantiu Obama.

"Desse modo, sairemos do nosso tempo de crise e alcançaremos a promessa de dias mais brilhantes".

Já o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, afirmou que se Jesus estivesse vivo seria contrário às "potências agressivas", ao falar em persa ao Chanel Four da TV britânica.

"Se Cristo estivesse no mundo hoje em dia, não há dúvidas de que estaria junto ao povo em sua oposição às potências agressivas e expansionistas".

"Se Cristo estivesse no mundo hoje em dia, não há dúvida de que exibiria a bandeira da justiça e do amor pela humanidade para se opor aos belicistas, aos invasores, aos terroristas e aos tiranos do mundo", disse Ahmadinejad à emissora, que a cada ano convida uma personalidade para transmitir uma mensagem de Natal alternativo à da rainha Elizabeth II.

Em sua tradicional mensagem, a soberana britânica falou sobre a atual crise econômica.

"Natal é tempo de celebração, mas este ano é um momento sombrio para muitos", afirmou a rainha na mensagem dirigida à Comunidade Britânica (Commonwealth).

"Algumas destas coisas que uma vez pareciam garantidas de repente parecem menos certas e, naturalmente, isso aumente o sentimento de insegurança", acrescentou a soberana.

A mensagem de Natal da monarca foi vista por milhões de pessoas nos 53 países da Commonwealth. O discurso foi transmitido pela televisão e também foi disponibilizado na internet.

mf/fp

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