Natal em Cuba concorre com a comemoração dos 50 anos da revolução

Anett Ríos. Havana, 25 dez (EFE).- A discrição dos jantares familiares, os poucos enfeites e os presentes escassos voltam a marcar em Cuba a chegada do Natal, uma data que, em 2008, concorre com as comemorações pelo 50º aniversário da Revolução Cubana.

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Em Havana, a maioria das lojas cumpriu o mandato natalino da árvore e algumas guirlandas, mas quase não há ruas com luzes de Natal ou enfeites com sininhos, e a febre pelas compras ou pelos descontos estão ausentes no país.

O normal é encontrar bandeiras cubanas penduradas nas sacadas dos principais prédios da cidade, ou amarradas a cordas que cruzam as ruas de lado a lado, como símbolos da grande comemoração nacional que acontecerá em 1º de janeiro, quando a revolução cubana completa suas cinco décadas.

Embora já faça dez anos que os cubanos têm Natal "oficial", para muitos o espírito natalino continua restrito ao jantar em família, à alegria pelo dia sem trabalho e pelo começo de uma festa que vai ficando cada vez mais animada e que dá origem a sete dias depois em festejos públicos e mais jantares.

O artesão Emilio Tamayo afirmou à Agência Efe que, em Cuba, as festas são longas, principalmente na zona leste, e, em seu caso, "a rumba" começa no dia 24, porque é quando sua filha faz aniversário, e só termina em janeiro.

"É Natal, mas sem presentes, porque não é que as pessoas não queiram, mas sim não podem. Se as pessoas tivessem a possibilidade, sim, se presenteariam, porque muitos desejariam fazê-lo", afirmou.

No entanto, Lilannis Pérez, de 39 anos, acredita que, entre os cubanos, a data desperta alegria, mas "não há consciência do que significa".

"Eu acho que a maioria dos cubanos não têm noção do que é o Natal, pensam que só que é comida e bebida, outra festa a mais como a de fim de ano", disse Pérez, que tem um Ministério na Igreja Cristã Metodista.

Diferenciar a identidade das festas poderia levar tempo em um país onde no mês de dezembro se mesclam significados religiosos, sociais e políticos após 1959.

A ilha tirou o feriado do Natal de seu calendário em 1969, recuperou a data em dezembro de 1997, às vésperas da visita do papa João Paulo II, e, um ano depois, o Governo declarou 25 de dezembro como dia de festas.

A viagem a Cuba em fevereiro do secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone, fez algumas pessoas pensarem que o Natal se fortaleceria este ano, ou que, pelo menos, teria o mesmo entusiasmo que ganhou quando João Paulo II visitou o país.

Mas, para pessoas como Josefina Hernández, de 71 anos, que viveu as festas "normais" do Natal antes da vitória da revolução, o decreto "não salva uma tradição e as coisas precisam de ordem".

As vitrines de Havana acolhem a "desordem" da qual falam as imagens coloridas de sinos e guirlandas, junto a fotos do líder cubano Fidel Castro e cartazes com a frase "Feliz 2009".

"Comemoremos em família. O 50º aniversário do triunfo da revolução. A alegria de ser cubano. Feliz ano 2009", é a lista de mensagens em cartazes que foram colados em várias lojas, junto a desenhos de sinetas e laços vermelhos.

Há também letreiros luminosos com o número 50 em vários lugares da cidade e cartazes com a imagem do ex-presidente Fidel Castro, que liderou a revolta contra o ditador Fulgencio Batista, que triunfou em 1º de janeiro de 1959.

Hernández afirma que "uma coisa e outra não têm nada a ver", critica os netos por quererem ir dançar após o jantar da véspera do Natal sem entender que uma celebração assim "não pode ser relação" com o jubileu cristão, mas deixou Fidel fora de suas críticas.

"O comandante é como Jesus Cristo, portanto pode estar onde quiser, até no presépio", afirmou. EFE arj/db

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