Beirute, 2 jul (EFE).- O secretário-geral do grupo xiita libanês Hisbolá, xeque Hassan Nasrallah, disse hoje que a troca de presos entre sua organização e Israel pode ser implementada dentro de algumas semanas, mas evitou dar datas concretas.

"A única coisa que resta por fazer agora é fixar um calendário para a troca dos prisioneiros", afirmou Nasrallah.

O líder xiita não fez referência ao estado dos dois soldados israelenses, Eldad Regev e Ehud Goldwasser, em poder do Hisbolá há dois anos, e que o Governo israelense dá como mortos.

Nasrallah destacou que a mediação para a troca foi feita pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, por meio de uma personalidade alemã designada por ele mesmo, e que não identificou.

"As negociações foram prolongadas, duras e complexas, e às vezes tiveram que ser paralisadas durante um ou dois meses", lembrou Nasrallah, que disse que seu grupo fez-se representar no diálogo por uma equipe "de grande capacidade e com experiência em trocas anteriores".

Ele destacou que o "Líbano é o primeiro país árabe em conflito com Israel a conseguir fechar um acordo sobre o tema de seus presos" em território israelense.

Nesse sentido, disse que Israel aceitou libertar todos os cinco presos libaneses no país, dentre os quais Samir Kuntar, o que estava há mais tempo recluso.

Além disso, assegurou que Israel aceitou entregar ao Hisbolá os restos mortais de cerca de 200 "mártires libaneses, palestinos e de outros países árabes".

A respeito do piloto israelense desaparecido no Líbano, Ron Arad, Nasrallah assegurou que foram feitas "investigações no terreno, e reunidos testemunhos".

"Chegamos a conclusões que apresentaremos ao secretário-geral da ONU em um relatório", afirmou.

Sobre os quatro diplomatas iranianos desaparecidos no Líbano, o líder do Hisbolá disse que "não há nada de novo", e que acredita que os israelenses apresentarão informações a esse respeito na ONU.

Ele destacou que o acordo de troca é um "grande êxito para todo os libaneses".

"O acordo é aceitável para ambas as partes", afirmou.

Também se referiu ao polêmico território das Fazendas de Chebaa, ocupado por Israel e que, segundo o Governo israelense, é de soberania síria, embora o Líbano também o reivindique.

A esse respeito, Nasrallah disse que seu grupo não se opõe à possibilidade de que as Fazendas passem a ser administradas pela ONU enquanto se decide seu status final.

Nasrallah anunciou que o Hisbolá "está aberto a qualquer reunião política que favoreça a unidade e sirva para restaurar a paz nacional". EFE ks/gs

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