Nasrallah anuncia troca de presos com Israel, mas não revela datas exatas

Beirute, 2 jul (EFE).- O secretário-geral do grupo xiita libanês Hisbolá, xeque Hassan Nasrallah, disse hoje que a troca de presos entre sua organização e Israel poderia ser realizada em duas semanas, embora não tenha revelado datas exatas.

EFE |

"O único (detalhe) que resta agora é fixar uma data para a troca dos prisioneiros", afirmou Nasrallah em coletiva de imprensa divulgada através de videoconferência, fiel ao seu costume, que já dura dois anos, de não aparecer em público.

Em relação aos dois soldados israelenses seqüestrados pelo Hisbolá há dois anos, Eldad Regev e Ehud Goldwasser, o líder xiita disse que o suposto assassinato deles é uma "interpretação" do Governo israelense, que os deu por mortos oficialmente há quatro dias.

A captura, em julho de 2006, desencadeou a guerra israelense contra o Líbano que terminou sem que Israel pudesse recuperar seus soldados e com o Líbano imerso em uma profunda crise política que ainda não superou totalmente.

Nasrallah destacou que a mediação para a troca foi realizada pelo próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, através de uma personalidade alemã designada por ele que não foi identificada.

"As negociações foram prolongadas, duras e complexas, e às vezes foram paralisadas por até um ou dois meses", lembrou Nasrallah, que explicou que seu grupo foi representado no diálogo por uma equipe de grande capacidade e com experiência em trocas anteriores.

O secretário-geral destacou que o "Líbano é o primeiro país árabe em conflito com Israel que conseguiu fechar o assunto de seus presos em Israel", em alusão às trocas anteriores em que o Hisbolá conseguiu libertações maciças em troca de corpos de soldados israelenses, ou inclusive de pedaços de cadáveres.

Nasrallah confirmou que Israel aceitou libertar todos os presos libaneses; cinco no total, entre eles Samir Kuntar, o que está detido há mais tempo em Israel.

Além disso, assegurou que Israel admitiu entregar para o Hisbolá os restos mortais de aproximadamente 200 "mártires libaneses, palestinos e de outros países árabes".

No último dia 29, o gabinete do primeiro-ministro israelense Ehud Olmert anunciou que aceitava a troca de presos com o Hisbolá e que Israel poria em liberdade, além de Kuntar e outros quatro libaneses, presos palestinos cujo número e identidade "serão determinados exclusivamente pelo Estado de Israel".

Além disso, também anunciou que seriam devolvidos ao Líbano "dezenas de corpos de terroristas e pessoas que cruzaram ilegalmente a fronteira, incluindo os de oito membros do Hisbolá".

Sobre o piloto israelense desaparecido no Líbano há 22 anos, Ron Arad, Nasrallah assegurou que foram realizadas as operações necessárias.

"Realizamos investigações na região, coletamos testemunhos, e chegamos a conclusões que apresentaremos ao secretário-geral da ONU em um relatório", disse.

Sobre os quatro diplomatas iranianos desaparecidos no Líbano, o líder do Hisbolá disse que "não há nada de novo" e que acredita saber que os israelenses apresentarão informações a esse respeito à ONU.

Nasrallah destacou que o acordo de troca é um "enorme sucesso para todos os libaneses" e que "o acordo é aceitável para ambas as partes".

Também se referiu às polêmicas Fazendas de Chebaa, ocupadas por Israel durante a Guerra dos Seis Dias e que segundo o Governo hebraico são de soberania síria, embora o Líbano também as reivindique.

Nasrallah disse sobre isso que seu grupo não se opõe à administração dessa região pela ONU enquanto é decidido seu status final, mas acrescentou que isto não será considerado uma libertação.

Por último, Nasrallah anunciou que "seu grupo está aberto para qualquer reunião política, que possa servir para a unidade e a restauração da paz nacional". EFE ks/bm/rr

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