A Nasa se prepara para lançar nesta quarta-feira o observatório Solar Dynamics Observatory, ou SDO, para compreender melhor as atividades do Sol, assim como seu impacto sobre a Terra e seu clima.

O lançamento está previsto para as 13h26 de Brasília (10h26 local) a partir de Cabo Canaveral, na Flórida, a bordo de um foguete Atlas V da United Launch Alliance, uma parceria que reúne as duas gigantes aeroespaciais Boeing e Lockheed Martin.

A missão, que deve durar cinco anos e custar 848 milhões de dólares, vai permitir o fornecimento contínuo de uma massa de dados e de imagens do Sol sem precedentes, que possibilitará desvendar o seu complexo funcionamento interno e, em particular, o de seu campo magnético.

"O observatório SDO é a base das pesquisas solares da próxima década", ressalta Richard Fisher, diretor da divisão de heliofísica da Nasa.

O satélite de 3,2 toneladas, que será colocado em órbita geossincronizada a cerca de 35.000 km da Terra, deverá permitir determinar a duração do próximo ciclo do sol - que é em média de 11 anos - e saber se é possível prever quando os ventos solares violentos carregados de partículas de forte energia afetarão o nosso planeta.

Esses ventos podem perturbar o funcionamento dos satélites, dos sistemas de distribuição de energia elétrica, e podem também ser perigosos para os astronautas no espaço.

"O sol afeta nossa vida cotidiana cada vez mais, já que dependemos muito de diversas tecnologias" como os sistemas de transmissões de rádio em alta frequência e o GPS para a navegação, explica Dean Pesnell, cientista do Centro de Voos Espaciais Goddard da Nasa.

"A maior parte dos efeitos provenientes do campo magnético do sol, que muda constantemente, e os instrumentos a bordo do satélite SDO foram concebidos para estudar esse campo magnético e a maneira como afeta a Terra", acrescenta.

Três instrumentos vão permitir analisar e medir as atividades solares.

O telescópio Atmospheric Imaging Assembly (AIA) vai produzir imagens em alta resolução do Sol e de sua atmosfera.

O Helioseismic and Magnetic Imager (HMI) é capaz de ver o interior do Sol para medir os movimentos de plasma que geram os campos magnéticos.

Já o Extreme Ultraviolet Variability Experiment (EVE) medirá a quantidade de energia emitida pelo sol em seus raios ultravioletas extremos, que são absorvidos pela atmosfera terrestre e não podem ser medidos a partir do sol.

Esses instrumentos permitirão estudar as relações entre a atividade magnética interna do sol e os efeitos em sua superfície, assim como em nosso planeta, indica Madhulika Guhathakurta, diretor científico do SDO da Nasa.

"Esses avanços produzirão dados científicos que permitirão compreender melhor o funcionamento do sol e vão conduzir à elaboração de instrumentos capazes de prever seu comportamento", acrescenta Liz Citrin, do Centro de Voos Espaciais Goddard.

O SDO poderá também ajudar a saber se uma longa inatividade solar corre o risco de mergulhar a Terra em um período prolongado de resfriamento.

De 1645 a 1715, a Europa e a América do Norte registraram invernos muito frios. Durante esse período, poucos registros solares foram gerados e os cientistas se perguntam se essa "pequena era glacial" poderá ser o sinal de uma relação entre uma inatividade solar prolongada e variações no clima terrestre.

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