Moscou, 26 ago (EFE).- A Nasa (agência espacial americana) propôs hoje à Rússia realizar uma expedição tripulada conjunta a Marte, aproveitando a experiência acumulada na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

"Um voo pilotado a Marte deve estar a cargo de uma tripulação internacional, utilizando as conquistas científicas alcançadas no projeto da ISS", declarou o representante da Nasa na Rússia, Mark Bowman, citado pela agência oficial "RIA Novosti".

Bowman afirmou que a possível expedição conjunta seria dirigida pela Nasa e pela agência espacial russa, Roscosmos, e contaria, além disso, com uma participação mais ativa da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) e de outros países que colaboraram no projeto multilateral da ISS.

"Estou convencido de que a tripulação deve ser formada por representantes de muitos países", disse Bowman, que insistiu que uma viagem a Marte, que a Nasa não acredita ser possível antes de 2035, requer esforços de vários países para ter sucesso.

O representante da Nasa ressaltou que, antes de empreender a viagem a Marte, é preciso completar o projeto da ISS e realizar novos voos tripulados à Lua, para acumular mais experiência e material científico e técnico.

Até agora, a Rússia planejava realizar por sua conta voos a Marte, com o objetivo de enviar naves automáticas em 2015 e tripuladas vários anos mais tarde, mas a crise mundial parece ter adiado os projetos.

No entanto, diretores da Roscosmos admitem ultimamente que um país não pode enfrentar sozinho o ambicioso projeto de um voo interplanetário, que requer experiência, tecnologia e financiamento de muitas nações.

A Rússia, que possui grande experiência de voos tripulados de longa duração, já realiza junto com a ESA simulações de viagens a Marte para testar a compatibilidade psicológica e a tolerância dos expedicionários em condições de isolamento tão longo.

Bowman lembrou que a Nasa já aprovou seu programa de exploração, que prevê completar em 2015 os voos de suas naves rumo à ISS, lançar a nova nave tripulada "Orion", no mesmo ano, e efetuar, em 2020, outra viagem à Lua, com participação de outros países e organismos.

Como outra prova de sua disposição, dirigentes da Nasa declararam que receberiam com boa vontade e estudariam com toda seriedade uma eventual proposta russa de empreender um desembarque conjunto de astronautas na Lua. EFE se/pd

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