Nasa diz que último vôo para manutenção do telescópio Hubble será perigoso

O próximo vôo do ônibus espacial Atlantis para a última missão de manutenção do telescópio Hubble, em outubro, será mais perigoso, devido à grande quantidade de lixo orbital presente nesta altitude, informou nesta segunda-feira John Shannon, diretor do programa do ônibus espacial.

AFP |

Segundo Shannon, o risco de que o ônibus espacial sofra danos catastróficos nesta missão devido ao impacto de um micrometeorito ou de um pedaço de lixo orbital foi calculado em 1 em 185, quase o dobro do habitual 1 em 300 das missões até a Estação Espacial Internacional (ISS).

O telescópio Hubble orbita a 563km da Terra, enquanto a ISS se move a apenas 354km de altura.

De acordo com as normas da Nasa, no entanto, o diretor do programa não pode assumir sozinho um risco superior a 1 em 200, e portanto a decisão de realizar esta missão ficará a cargo dos mais altos funcionários da agência espacial americana, como o diretor-geral Michael Griffin.

Shannon, no entanto, afirmou que espera um sinal verde para o vôo da Atlantis.

"Os micrometeoritos e o lixo orbital (MMOD) representam o maior risco para todos os vôos de ônibus espaciais", ainda mais na altitude em que se encontra o Hubble.

Além disso, ao contrário de outras missões, o Atlantis desta vez estará longe demais da estação espacial para se acoplar a ela em caso de uma avaria mais grave.

Shannon explicou que o entorno do telescópio se tornou ainda mais hostil no último ano depois de um teste chinês para destruir um satélite, da destruição de um satélite americano que estava fora de controle pela Força Aérea e do desmembramento de um foguete russo. Os eventos lançaram uma grande quantidade de detritos orbitais na região.

Shannon lembrou que, após o acidente com o ônibus espacial Columbia durante sua reentrada na atmosfera terrestre, em fevereiro de 2003, provocado pelo impacto de um pedaço de espuma isolante que se desprendeu do tanque de combustível e perfurou a proteção térmica da nave, a Nasa instalou sistemas mais eficazes de inspeção e reparo em órbita.

"Nossa capacidade de minimizar esses riscos aumentou, o que nos dá ainda mais confiança", disse.

Os engenheiros da agência espacial desenvolveram materiais que podem preencher uma fissura nos escudos térmicos ou um buraco nas placas de carbono reforçado que protegem as asas e o nariz do ônibus espacial, mesmo no espaço.

A temperatura da nave é sempre mais elevada nessas partes, podendo chegar a 1.500 graus Celsius devido ao atrito com o ar durante o lançamento e a volta à Terra.

Prevendo o pior, a Nasa terá um segundo ônibus espacial, o Endevour, com dois tripulantes a bordo na plataforma de lançamento do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral (Florida, sudeste), pronto para ser lançado para socorrer os sete astronautas do Atlantis se necessário.

"Seria preciso que o Atlantis sofresse um dano considerável e raro provocado por um micrometeorito ou por um resíduo orbital em um lugar crucial para empreender uma missão de resgate com outra nave.

Esta opção, no entanto, está sendo considerada sobretudo em caso de danos graves causados pelo impacto de um pedaço de gelo ou de espuma isolante durante o lançamento, afirmou Shannon.

js/ap/LR

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