Washington, 24 abr (EFE).- A Nasa (agência espacial americana) concluirá neste fim de semana a comemoração do 20º aniversário do Hubble, o telescópio espacial que abriu os horizontes da astronomia e que em alguns anos será mais uma peça de museu que um satélite ao redor da Terra.

A comemoração está acontecendo em todos os escritórios nacionais da Nasa, e começou com a divulgação das fotos mais espetaculares do universo captadas pelo telescópio.

Essas imagens também fazem parte do livro "Hubble, a Journey Through Space and Time", que inclui 20 das melhores fotografias e comentários de importantes astrônomos de todo o mundo.

As imagens, selecionadas por astronautas e cientistas da agência espacial, mostram o nascimento e morte de estrelas e a colisão de galáxias, além de remeter aos períodos iniciais da formação do universo.

AFP
Nasa comemora 20 anos do telescópio Hubble



"Esse livro representa uma amostra dos 20 anos de descobertas do Hubble, que mudaram para sempre nossa visão do universo", disse Ed Weiler, administrador adjunto da missão científica da Nasa.

"O Hubble seguirá tendo um impacto positivo no mundo durante muitas décadas e as descobertas serão ainda maiores no futuro", previu Weiler, autor do livro.

A publicação conta com um prólogo do administrador da Nasa, Charles Bolden, que foi um dos astronautas que participou das missões para reparar e melhorar os instrumentos do telescópio.

O Hubble começou sua histórica proeza científica em 24 de abril de 1990, quando partiu para uma órbita de 600 km sobre a Terra, instalado na nave espacial "Discovery".

Mas a Nasa não fez festa apenas pelas fotografias do cosmos tiradas do observatório, que é um projeto conjunto da Nasa e da Agência Espacial Europeia (ESA), mas também divulgou as descobertas conseguidas por outros instrumentos, como seu espectrógrafo e suas câmeras de alta resolução.

Entre elas, está a primeira molécula orgânica em um planeta que orbita outra estrela, o descobrimento de buracos negros, a comprovação de que a matéria escura existe, a formação dos planetas e observações que permitiram estabelecer que o universo está em expansão e que sua idade é de aproximadamente 13,7 bilhões de anos.

A molécula, de metano, foi descoberta pelo Hubble em um exoplaneta que se encontra a 63 anos luz da Terra, na constelação Vulpécula. Trata-se de um corpo muito maior que nosso planeta e tão brilhante que os cientistas consideram impossível a existência de algum tipo de atividade biológica.

"Seja em pontos mais próximos ou nos mais distantes, aqueles que nunca haviam sido visto antes, estamos levando o cidadão a uma viagem por todo o universo", afirmou Dave Leckrone, um dos cientistas encarregados pelas operações do Hubble.

Mas a vida do satélite que revolucionou o conhecimento do homem sobre o universo está ficando curta.

Após a quinta e última missão do ano passado para reparar e melhorar seus sistemas que estiveram inativos durante quase três anos, a Nasa anunciou que não espera que o Hubble continue funcionando depois de 2014 e que, pouco a pouco, seus sistemas se apagarão para sempre.

O complexo espacial mede 13,2 metros de comprimento e 4,7 metros de largura e tem um peso de quase 12 toneladas. Irremediavelmente, começará a ser atraído pela força da gravidade da Terra até se desintegrar ao se chocar com a atmosfera.

A partir de então o Hubble irá se juntar aos milhares e milhares de elementos que compõem o ferro-velho espacial que giram em órbitas eternas ao redor do planeta.

Mas não deve demorar até que a Nasa lance ao espaço outro equipamento para ficar na órbita terrestre e que talvez seja mais poderosa que o Hubble.

Ao anunciar, neste mês, seus planos para o futuro da prospecção do cosmos, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, o presidente Barack Obama confirmou seu plano de investir US$ 3 bilhões na substituição do telescópio espacial.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.