Narcotráfico também ganha com valorização do euro, denuncia comissão peruana

Lisboa, 27 set (EFE).- A valorização do euro levou os traficantes de drogas a reforçar seus negócios na Europa, onde obtêm grandes lucros com a cocaína paga em dólares, vendida na moeda européia e cujo consumo está em alta, segundo denúncias do Peru.

EFE |

O presidente da Comissão Nacional para Desenvolvimento e Vida sem Drogas do Peru (Devida), Rómulo Pizarro, disse à Agência Efe que a "permissividade" existente no Velho Continente em relação à cocaína fez disparar o consumo da droga nos últimos anos.

Pizarro apresentou esta semana, em Lisboa, um programa conjunto com a Colômbia para conscientizar os europeus sobre o dano causado pelas drogas nos países produtores, como os milhares de hectares de floresta arrasados pelo cultivo ilegal de coca.

No Peru, um dos maiores produtores mundiais da planta, 70% de sua cocaína vai para a Europa e apenas 10% para os Estados Unidos, disse Pizarro.

Por isso, o narcotráfico concentra seus principais negócios na Europa, onde o consumo, "que em uma semana abrage 2 milhões de europeus", ameaça se transformar em um grave problema e "entrar na economia".

Pizarro afirmou que o Reino Unido e a Espanha lideram o consumo da droga, dado reiterado pelo vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, que representou Bogotá na visita conjunta a Portugal.

Os dois abriram uma exposição em Lisboa centrada nos danos causados pela plantação de coca na mata virgem.

Pizarro se queixou de que, na Europa, não há consciência de que cada dose aspirada por algum famoso cuja dependência torna-se o "assunto do momento" na imprensa destrói um pedaço do maior pulmão verde da Terra, a Amazônia.

O propósito do Peru e da Colômbia com sua iniciativa conjunta, que irá a outras cidades européias, é precisamente mostrar os problemas sofridos por esses países, "os chamados produtores, pela ação do narcotráfico, que envolve meio ambiente, corrupção e violência".

Pizarro destacou que o Peru teve sucesso em seus programas antidrogas e que, "atualmente, as plantações legais são maiores que as ilegais", por serem rentáveis e lutarem contra a pobreza.

"É um modelo novo, integral e sustentável. O famoso desenvolvimento alternativo estava vinculado apenas à substituição de cultivos, mas, se não entrasse no mercado, o camponês voltava a plantar", explica.

Os países produtores, concluiu, têm clareza de sua "responsabilidade", mas esperam apoio e recursos da Europa para defender o meio ambiente, não só com automóveis híbridos ou compensação de emissões, mas protegendo a Amazônia dos narcotraficantes. EFE ecs/wr/an

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