Narcotráfico invade a desprevenida Costa Rica

Douglas Marín Mata. San José, 30 jun (EFE).- As 80 toneladas de cocaína confiscadas nos últimos três anos são a melhor amostra de que os tentáculos do narcotráfico se estendem quase livremente pela Costa Rica, um país que foi tomado pelo crime organizado, devido à falta de leis e pouca especialização policial.

EFE |

Policiais, pescadores e empresários envolvidos com grupos de narcotraficantes, juízes investigados por polêmicas decisões judiciais a favor destas máfias e a falta de recursos para combater o problema acenderam todos os alarmes das autoridades e da população nos últimos dias.

O último grande caso foi revelado em meados de junho, quando as autoridades do México encontraram 894 quilos de cocaína em um porto de Iucatã, dentro de tubarões congelados que vinham da Costa Rica.

A Polícia costarriquenha prendeu cinco suspeitos de fazer os envios através de uma empresa de exportação de peixe e cujos donos possuem uma enorme propriedade, na qual se descobriram túneis e adegas aparentemente usados para armazenar toneladas de drogas.

Só neste ano, mais 395 quilos de cocaína foram confiscados, que eram transportados em um helicóptero que bateu, em maio, nas montanhas do leste do país. Além disso, foi registrado um roubo, em março, de 320 quilos da droga na região do Golfito, no Pacífico sul do país.

As autoridades prenderam oito pessoas suspeitas de ter roubado a carga de droga, entre elas três policiais e um ex-policial, de quem também confiscaram US$ 306 mil, supostamente obtidos com a venda de parte da carga.

O Procurador-geral, Francisco Dall'Anese, disse nesta semana que o país "está atuando ridiculamente" no combate ao narcotráfico, porque alguns confiscos foram realizados por acaso ou graças à ação de outro país e que, por isso, pediu a aprovação da nova Lei contra o crime organizado, que o Congresso deve votar na próxima semana.

A Defensora dos Habitantes, Lisbeth Quesada, assegurou que a Costa Rica está se transformando em "um paraíso" para os narcotraficantes e para lavagem de dólares, devido à falta de uma política específica contra o narcotráfico e por "uma resposta legal muito lenta".

Jorge Rojas, diretor do Organismo de Investigação Judicial (OIJ), também fez críticas e afirmou que o Estado não tem controle suficiente em suas fronteiras, portos e aeroportos.

A ministra de Segurança, Janina Del Vecchio, reconheceu que a Costa Rica deixou de ser um país "de passagem" da droga, para se transformar em um armazém dos cartéis mexicanos e colombianos.

A ministra destacou os confiscos realizados, apesar da falta de recursos, e qualificou de "insuficientes" os US$ 4,3 milhões investidos na Costa Rica, em 2009, como parte do Plano Mérida, uma iniciativa americana para ajudar a combater o narcotráfico na América Central e no México.

Desde 2006, as apreensões de droga na Costa Rica aumentaram, principalmente no oceano Pacífico, graças a um tratado de vigilância conjunta com os Estados Unidos.

Pescadores eram contratados para transportar droga ou abastecer as lanchas rápidas dos traficantes; um juiz está sendo investigado por libertar supostos traficantes e a maioria das pessoas que estão presas foram condenadas por tráfico de drogas.

A Costa Rica é um país de 4,5 milhões de habitantes e sem Exército, com dezenas de pontos sem vigilância em suas fronteiras e com extensas despesas judiciais, mas só conta com aproximadamente 11 mil policiais.

Até este ano não havia nenhuma lei para a proteção de testemunhas e a aprovação da Lei contra o crime organizado, instrumentos com os quais as autoridades esperam reduzir a brecha entre os criminosos e a Justiça, está prevista para devolver a segurança que durante décadas caracterizou esta nação. EFE dmm/pd

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