Narcotráfico e comércio marcam visita de McCain à Colômbia

O combate ao narcotráfico e um acordo comercial entre Estados Unidos e Colômbia foram os dois principais assuntos da visita do virtual candidato republicano à Presidência americana, John McCain, à Colômbia. Os dois assuntos dominaram o encontro de duas horas de McCain, senador pelo Estado do Arizona, com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, na terça-feira.

BBC Brasil |

"Drogas são um grande problema nos Estados Unidos. O constante fluxo de drogas da Colômbia através do México para dentro dos Estados Unidos ainda é um dos maiores desafios para todos os americanos", afirmou McCain, em entrevista em Cartagena à rede de TV americana ABC, nesta quarta-feira.

A Colômbia é o maior produtor de cocaína e o México, país que McCain visitará em seguida, é a principal porta de entrada para a droga no mercado americano.

McCain disse que o Plano Colômbia, por meio do qual os EUA prestam ajuda militar e financeira à Colômbia para combater o narcotráfico, está funcionando e elogiou Uribe pela cooperação neste sentido e pelos avanços na luta contra as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Direitos Humanos
Por outro lado, o senador cobrou do presidente colombiano a necessidade de melhorar o histórico de direitos humanos do país.

"Tenho sido um defensor dos direitos humanos em toda a minha vida e carreira", disse McCain a repórteres após a reunião com Uribe, na terça-feira. "Nós discutimos essa questão com o presidente Uribe e vamos continuar a pedir progresso nessa direção. Acredito que progressos estejam sendo feitos e que mais progressos precisam ser feitos."
O tema foi o principal argumento da oposição democrata para não ratificar no Congresso um acordo de livre comércio entre Colômbia e Estados Unidos. As preocupações se referiam a violência cometida contra líderes sindicais - 31 deles foram assassinados na Colômbia apenas neste ano.

Apesar disso, o pré-candidato disse ter confiança de que a Colômbia e Estados Unidos conseguirão implementar um acordo de livre comércio.

"Sei que Bogotá já negociou um acordo de livre comércio com Canadá e com a União Européia e tenho confiança que o TLC (Tratado de Livre Comércio) com os EUA será alcançado."
Já Barack Obama seguiu o seu partido e se manifestou contra o acordo, com o argumento de que só apóia a liberalização do comércio se forem incluídas medidas para proteger trabalhadores e o meio ambiente.

A postura em relação ao acordo de livre comércio marca uma das principais diferenças entre os dois virtuais candidatos.

O assunto tem ganhado importância na campanha presidencial e na disputa pelo controle do Congresso em um contexto de problemas econômicos e perda de empregos nos Estados Unidos.

Vale lembrar ainda o peso do voto dos nove milhões de latino-americanos na disputa. Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Gallup indica que Obama lidera as preferências nesse eleitorado, com 59% das intenções voto, contra 29% de McCain.

Bipartidarismo
Segundo a correspondente da BBC Lourdes Heredia, que acompanha a viagem de McCain, Uribe recebeu o pré-candidato republicano de maneira calorosa na residência presidencial em Cartagena, mas fez questão de mencionar o caráter "bipartidário" das relações entre Colômbia e Estados Unidos.

O presidente disse até que o pré-candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, fez comentários "positivos" sobre a Colômbia, embora não tenha deixado claro a que estava se referindo.

Questionado sobre o assunto, McCain disse que não discutiria a campanha presidencial americana fora do país.

O senador americano deverá deixar a Colômbia nesta quarta-feira para o México, segunda e última parada da sua viagem. McCain também se reunirá com o presidente mexicano, Felipe Calderón, com quem deverá discutir, entre outros assuntos, controle de fronteiras.

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