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Top Model deporá em 29 de julho por diamante dado por ex-líder da Libéria; se não acatasse intimação, poderia ser presa por 7 anos

Foto de 22 de novembro de 2007 mostra modelo britânica Naomi Campbell em Madri, Espanha
AFP
Foto de 22 de novembro de 2007 mostra modelo britânica Naomi Campbell em Madri, Espanha
A 'top model' britânica Naomi Campbell prestará depoimento no julgamento Charles Taylor, em Haia, onde ele é acusado de crimes de guerra e contra a humanidade, sobre um "diamante de sangue" que teria recebido de presente do ex-presidente liberiano, anunciou nesta sexta-feira um porta-voz da modelo.

"Naomi Campbell confirmou que assistirá ao julgamento de Charles Taylor em Haia a pedido do Tribunal. Ela foi requisitado como testemunha para ajudar a esclarecer alguns acontecimentos de 1997", declarou a porta-voz da modelo, em comunicado divulgado em Londres. "A senhorita Campbell deixou claro que está disposta a ajudar no correspondente processo legal", acrescentou, afirmando que ela "não é acusada" e "não está sendo julgada".

A modelo foi intimada a comparecer, em 29 de julho, no Tribunal Especial para Serra Leoa (TESL), informando na intimação, divulgada no último dia 1º que, caso ela não se apresentasse, poderia ser condenada a sete anos de prisão.

Em maio, a acusação havia pedido que Naomi fosse intimada para responder a suspeitas levantadas pela atriz Mia Farrow de que Taylor teria dado de presente um diamante à supermodelo britânica em setembro de 1997, após um jantar organizado pelo então presidente sul-africano, Nelson Mandela.

Segundo a promotoria, Taylor viajou em setembro daquele ano à África do Sul para vender ou trocar por armas diamantes recebidos de rebeldes de Serra Leoa. Taylor é suspeito de ter liderado os rebeldes da Frente Revolucionária Unida (RUF) de Serra Leoa, abastecendo-os com armas e munições em troca de diamantes, durante a guerra civil naquele país, de 1991 a 2001.

A acusação acredita que as evidências de Campbell, que em outras oportunidades se negou a falar com a promotoria sobre o suposto presente, darão suporte à alegação de que Taylor tem acesso a diamantes brutos, algo que ele nega.

Taylor, de 62 anos, é acusado de 11 crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra civil no país africano. Ele alega inocência das acusações de assassinato, estupro, recrutamento de meninos soldados, escravidão e saques.

A Frente Revolucionária Unida é acusada de mutilar centenas de civis, que tiveram suas mãos e braços decepados em uma das guerras mais brutais da história moderna, que matou cerca de 120 mil pessoas.

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