Naomi Campbell terá que depor em Haia por 'diamantes de sangue'

Modelo teria recebido diamante bruto do ex-presidente da Libéria Charles Taylor, julgado por crimes contra humanidade

EFE |

A modelo Naomi Campbell terá que depor no Tribunal Especial para Serra Leoa, em 29 de julho, como testemunha no julgamento do ex-presidente da Libéria Charles Taylor, de quem teria recebido um diamante bruto.

AFP
Naomi Campbell posa para fotógrafos no Festival de Cannes (17/05)
Charles Taylor teria entregado o 'diamante de sangue' a Naomi Campbell durante um jantar organizado por Nelson Mandela na África do Sul, em 1997. Estavam presentes ao jantar a atriz Mia Farrow e a agente da modelo britânica, Carol White, que confirmaram o fato.

Farrow e White que estavam presentes no jantar, juntamente ao cantor Quincy Jones, se prontificaram a testemunhar ante o TSSL, ao contrário de Campbell, pelo que foi convocada oficialmente. Se não comparecer, a corte alerta que a top britânica estará cometendo o delito de desacato e "poderá ser condenada a até sete anos de prisão".

Segundo a Promotoria, o testemunho de Naomi pode provar que Taylor, ao contrário do que alega, realmente tinha acesso a diamantes brutos e que os trocava por armas usadas no conflito em Serra Leoa.

Carol White afirmou ter estado presente no momento em que o diamante foi entregue à modelo e Mia Farrow informou que a própria Naomi Campbell teria lhe contado no dia seguinte sobre o "presente".

"Ela nos disse (...) que ela havia sido acordada no meio da noite com batidas na porta. Ela abriu e se deparou com dois ou três homens - já não me lembro mais exatamente quantos eram - que lhe apresentaram um enorme diamante em nome de Charles Taylor", informou Farrow num depoimento anterior.

Processo contra Charles Taylor

Taylor, cujo processo foi aberto em 2008, é suspeito de ter dirigido os rebeldes da Frente Revolucionária Unida (RUF) em Serra Leoa, abastecendo-os com armas e munições em troca de "diamantes de sangue".

Os rebeldes do RUF surgiram durante a guerra civil de dez anos de duração, entre os anos de 1991 e 2001, que fez 120 mil mortos e milhares de mutilados. Taylor ainda é acusado de assassinatos, estupros e recrutamento de crianças-soldado durante o conflito.

O antigo presidente da Libéria nega culpa nos onze crimes pelos quais ele está sendo incriminado. Seu processo foi transferido de Freetown para Haia a fim de evitar a desestabilização da região.

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