"Não tive escolha a não ser atirar", diz israelense

Segundo relatos de militares israelenses, ativistas atacaram soldados com facas e barras de metal

iG Sao Paulo |

Militares israelenses que atacaram um comboio com ajuda humanitária destinado à Faixa de Gaza nesta segunda-feira dizem ter sido atacados pelos ativistas com facas e barras de metal e alguns soldados teriam mergulhado no mar para se salvar, segundo testemunho israelense. "Eles me arremessaram, me atingiram com paus e garrafas e roubaram meu rifle", disse um dos soldados. "Eu tirei minha pistola e não tive escolha a não ser atirar".

Um cinegrafista da Reuters a bordo do navio da marinha israelense Kidon, perto do comboio de ajuda de seis navios, disse que os comandantes que monitoravam a operação foram surpreendidos pela forte resistência dos ativistas pró-palestinos.

Um dos militares disse que alguns dos soldados tiveram seus capacetes e equipamentos retirados e vários foram arremessados de um piso superior a outro inferior e depois se jogaram ao mar para que se salvassem.

Outro soldado disse a repórteres ter descido de um helicóptero por uma corda a um dos seis navios do comboio e foi imediatamente atacado por um grupo de pessoas que esperava por eles. "Eles nos bateram com pedaços de metal e facas", disse.

O governo de Israel afirmou que militares abriram fogo para se defender e que  nove ativistas foram mortos e sete soldados ficaram feridos . Com Israel interferindo em sinais de rádio e censurando a imprensa, há poucos relatos independentes do que ocorreu no mar.

Um porta-voz militar israelense disse que alguns dos soldados estavam equipados com armas não-letais, mas que elas não eram suficientes contra os ativistas, que as muniram com balas. "Eles tinham pistolas com munição... para se defenderem", disse ele.

Ataque em vídeo

Imagens de uma TV turca feitas a bordo do barco que liderava a frota mostram soldados israelenses lutando para controlar os passageiros. As imagens mostram algumas pessoas, aparentemente feridas, deitadas no chão. O som de tiros pode ser ouvido.

A TV árabe Al-Jazeera relatou, da mesma embarcação, que as forças da Marinha israelense haviam disparado e abordado o barco, ferindo o capitão.

A transmissão das imagens pela Al-Jazeera foi encerrada com uma voz gritando em hebraico: “Todo mundo cale a boca!”. Já a TV israelense mostrou imagens em que um ativista parece tentar esfaquear um soldado.

Ajuda humanitária

A flotilha, que tinha mais de 700 passageiros, cumpria a última etapa de uma missão humanitária para entregar quase 10.000 toneladas de ajuda a Gaza, território submetido a um bloqueio israelense desde 2007, quando o Hamas assumiu o controle do local.

Os barcos começaram a navegar em direção a Gaza a partir de águas internacionais diante do Chipre na tarde de domingo e tinham previsão de chegar à Gaza durante a madrugada.

Seis horas depois da partida da flotilha, três embarcações israelenses zarparam de Haifa com a missão de interceptar a viagem. Durante o fim de semana, Israel qualificou o comboio de ilegal e advertiu que apreenderia os barcos.

Israel decretou um bloqueio quase total à entrada de mercadorias na Faixa de Gaza desde que o grupo islâmico Hamas tomou à força o controle da região, em junho de 2007.

O Hamas é acusado pelos disparos de milhares de mísseis contra o território israelense na última década. Israel diz que permite a entrada de 15 mil toneladas de suprimentos de ajuda humanitária a Gaza a cada semana. Mas a Organização das Nações Unidas diz que isso é menos de um quarto do necessário.

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