O presidente eleito dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama, disse hoje que, tão logo assuma seu posto na Casa Branca, tomará todas as medidas necessárias contra a crise financeira, à qual se referiu como a mais importante de nossas vidas.

Em sua primeira entrevista após a eleição, Obama disse que "a crise é global e requer uma resposta global". O encontro ocorreu em Chicago, após uma reunião com seus conselheiros econômicos _que estiveram atrás dele durante toda a entrevista. Esta sexta-feira foi mais um dia de notícias ruins para o mercado e sobre a economia norte-americana. Dados revelam que o País perdeu 240.000 postos de trabalho em outubro.

"Dezenas de milhões de famílias estão lutando para encontrar um jeito de pagar as contas e ficar em suas casas", disse Obama. "As histórias dessas pessoas são uma lembrança urgente de que estamos enfrentando o maior desafio de nosso tempo. Teremos que agir com rapidez para solucionar isso."

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Obama fala sobre economia em sua 1ª entrevista após a eleição
Obama fala sobre economia em sua 1ª entrevista após a eleição

Obama continuou: "Não vai ser fácil sair sozinhos do buraco onde nos metemos. Mas os Estados Unidos são um país forte e resistente. Sei que conseguiremos se deixarmos o sectarismo e a política de lado e trabalhar juntos como uma nação".

O presidente eleito falou durante pouco mais de 20 minutos. Respondeu à maior parte das perguntas dos jornalistas de forma genérica.

Questionado sobre quais medidas pretendia tomar nos 100 primeiros dias de governo, ou o que planeja anunciar no dia da posse, resumiu-se a dizer que sua prioridade será combater a crise econômica.

"Enfrentamos o maior desafio econômico de nossas vidas. Teremos que atuar rapidamente para resolvê-lo", disse ele. "Imediatamente após assumir, enfrentarei com decisão a crise econômica tomando todas as medidas necessárias para aliviar a crise de crédito, ajudar as famílias de trabalhadores e restaurar o crescimento e a prosperidade" na América, asseverou o presidente eleito.

Primeiras providências

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Obama explica algumas de suas propostas
Obama explica algumas de suas propostas
Ele afirmou que, entre suas primeiras medidas, estará enviar um projeto pelo aumento dos subsídios ao seguro-desemprego e um plano de resgate que ajude a classe média. Afirmou que, como informa seu plano de governo, pretende  reduzir a carga tributária de 95% da classe média dos EUA.

Obama também declarou que é preciso criar um programas de estímulos para conter a "hemorragia" de fechamento de postos de trabalho. Ele prometeu, por exemplo, ajudar a indústria automobilística americana diante da forte queda da demanda por carros no País.

"Decidi que a equipe de transição terá de trabalhar sobre novas medidas para ajudar a indústria de automóveis a se adaptar" à queda na demanda, declarou Obama. "A indústria automotora é a coluna vertebral da indústria americana e tem um papel fundamental em nossa tentativa de reduzir nossa dependência do petróleo estrangeiro", acrescentou.

Obama disse esperar que o "governo faça todo o possível para acelerar (a distribuição) a ajuda para a renovação dessa indústria já adotada pelo Congresso".

No início de setembro, o Congresso aprovou uma partida de 25 bilhões de dólares em empréstimos com juros baixos para que a indústria americana produza modelos mais econômicos e ecológicos.

Sobre o pacote de incentivos que tramita no Congresso, gestado pela equipe do atual presidente, o republicano George W. Bush, afirmou: "Espero que o programa de incentivo passe [no Congresso] o mais rápido possível, mas, se não passar agora, ou antes de eu tomar posse, será a primeira coisa de farei".

Irã

Obama disse que o desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã é "inaceitável" e que o País deve suspender seu "apoio às organizações terroristas". Foi um dos poucos momentos em que o presidente eleito dos EUA foi enfático. Ele afirmou que a aproximação dos EUA com o Irã não pode ser feita de maneira instantânea. "Acredito que temos que pensar", declarou.

Obama disse também que vai responder à mensagem de congratulação recebida do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, a primeira desde a Revolução Iraniana, de 1979, que depôs o xá Reza Pahlevi, pró-EUA, e instalou um regime teocrático anti-EUA.

No início da manhã deste sábado, a agência de notícias iraniana "Fars" divulgou que o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, criticou as declarações de Obama.

"Isso (o discurso) significa que (a política americana) segue pelo mesmo caminho errado de antes. Se os Estados Unidos quiserem mudar sua postura na região, têm que enviar os sinais corretos", disse Larijani.

(Com Reuters, EFE e AFP)

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