Não há como prever se acontecerão outros terremotos, diz professor da Unicamp

Em janeiro, Haiti. Em fevereiro, Chile. Ontem Taiwan foi balançada por mais um terremoto, dessa vez de magnitude mediana, 6,4 na escala Richter. Embora esses incidentes já sejam suficientes para caracterizar 2010 como um dos anos de atividade sismológica mais intensa da história, não existe maneira de prever se acontecerão mais tremores ou onde exatamente a terra tremerá nos próximos dias, segundo Roberto Xavier, professor do Instituto de Geociências da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Natasha Madov, iG São Paulo |


Uma coisa é certa: a probabilidade da terra tremer é sempre mais forte no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, uma linha de de 40.000 km que se estende da costa oeste da América do Sul, América Central e do Norte, contemplando todos os países andinos, ilhas do Caribe, México, Califórnia, Alasca, e segue pela costa oriental da Rússia, China, Japão, Indonésia, até Nova Zelândia. Essa região é conhecida pelo grande número de terremotos e intensa atividade vulcânica, concentrando a grande maioria dos incidentes. Nesses locais algo vai acontecer, é fato, resume o geólogo.

Choque entre placas tectônicas

Xavier explica que isso acontece porque o Círculo de Fogo fica exatamente na fronteira entre placas tectônicas, que compõem a superfície terrestre. Essas placas estão em constante movimento, entrando em choque ou se afastando.

Cada vez que uma movimentação dessas é mais forte, ela gera energia que faz a terra tremer. Em locais afastados das bordas de placas (como o Brasil), a energia se dispersa e os tremores são mais raros e fracos. Em alguns países, como o Japão,  as construções já são pensadas para diminuir os danos num caso de catástrofe. Em outros, isso não acontece, como foi o caso do Haiti.

As outras fronteiras de placas tectônicas do planeta ficam fora de regiões povoadas, como no Oceano Atlântico. Existe uma, no entanto, entre o norte da África e sul da Europa, na região mediterrânea, que se estende pelo Oriente Médio até a Índia e China, onde se liga ao Círculo de Fogo.

Ainda assim, não é possível prever com antecedência quando um terremoto vai ocorrer. A movimentação das placas tectônicas acontecem a 200, 300 quilômetros de profundidade. Não temos tecnologia, ainda, para avaliar a atividade do solo a essa distância da superfície. Só podemos esperar que a cota de terremotos de 2010 já tenha acabado.


Leia também:

Leia mais sobre terremoto

    Leia tudo sobre: geologiaterremotos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG