Não há atalho para paz no Oriente Médio, diz Obama na ONU

Em discurso, líder dos EUA encoraja negociações e tenta dissuadir palestinos de buscar reconhecimento de Estado nas Nações Unidas

iG São Paulo |

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um apelo para que a Autoridade Nacional Palestina (ANP) desista de pedir o reconhecimento de seu Estado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em discurso nesta quarta-feira na 66ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, Obama afirmou que "não há atalhos para a paz", que só se tornará realidade por meio de negociações.

"A paz não pode ser alcançada por declarações e resoluções das Nações Unidas", afirmou, em referência ao pedido palestino de adesão à ONU, que deve ser entregue formalmente na sexta-feira pelo presidente da ANP, Mahmud Abbas. "Chegar até a paz é algo trabalhoso. Não há atalhos."

Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, discursa durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York

"No fim das contas, são os israelenses e os palestinos que têm de entrar em acordo. São eles que têm de viver lado a lado. São eles que têm de se comprometer com a paz, depois que nossos discursos acabarem e nossos votos forem contados", afirmou.

Obama defendeu os "intensos esforços" dos EUA e de outros países para fazer as negociações avançarem, mas admitiu que poucos progressos foram alcançados. "Sei que muitos estão frustrados. Eu certamente estou", disse.

O presidente americano encorajou a retomada de negociações que levem em conta o direito do povo palestino de ter um Estado, assim como as preocupações de Israel com sua segurança. "Ambos têm aspirações legítimas, e por isso a paz é tão difícil", avaliou.

A mensagem foi ecoada posteriormente pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, que propôs que a ONU conceda aos palestinos o status de Estado observador, enquanto se estabelece um mapa para a paz dentro de um ano .

Na tentativa de dissuadir a ANP de seguir em frente com a campanha na ONU e encorajar novas negociações, Obama manteve uma reunião separada com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, nesta quarta-feira. Ele também deve se reunir com Abbas. Obama quer evitar que a questão chegue ao Conselho de Segurança - onde as adesões precisam ser aprovadas - porque o uso do poder de veto acarretaria graves riscos políticos para os EUA num momento de turbulências políticas no Oriente Médio.

Apesar das pressões, os palestinos indicaram nesta quarta-feira que manterão sua iniciativa na ONU. A única concessão feita foi a declaração dada pelo negociador Nabil Shaath de que Abbas daria " algum tempo ao Conselho de Segurança para avaliar nosso pedido de adesão plena antes de recorrer à Assembleia Geral", onde poderiam obter o status de Estado observador.

Mundo árabe

Em seu discurso, Obama afirmou que acontecimentos internacionais fizeram de 2011 um ano "notável", citando, como exemplos, as revoluções democráticas na Tunísia, Egito e Líbia, além da morte do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden .

"A ideia de que a mudança só vem com violência morreu com Bin Laden", disse, pouco depois de reafirmar o apoio internacional ao povo líbio durante a transição democrática. "Temos a responsabilidade de ajudar a Síria. É assim que a comunidade internacional deve agir: unida e em nome da paz e da segurança."

O líder fez críticas a outros governos autoritários, como Irã, Iêmen e Bahrein e subiu o tom especialmente em relação à Síria, pedindo que o Conselho de Segurança da ONU aprove uma nova rodada de sanções contra o governo do presidente Bashar al-Assad. "Temos de falar com uma só voz", defendeu.

Dilma

A Assembleia Geral da ONU foi aberta pela presidenta Dilma Rousseff , que discursou antes de Obama. Em sua fala, a brasileira disse que "chegou o momento" para a adesão de um Estado palestino como membro pleno da ONU.

"Chegou o momento de ter representada a Palestina a pleno título", afirmou Dilma, deixando clara a posição do Brasil em meio às itensas negociações que visam a evitar uma crise diplomática pelo pedido de adesão dos palestinos à ONU.

Vestindo saia e blusa azuis, Dilma ressaltou seu orgulho em ser uma representante da mulher. "Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo", disse, sendo interrompida por aplausos entusiasmados. A filha da presidenta, Paula, também esteve presente na plateia.

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