"Não foi morte natural", diz irmã de engenheiro morto no Peru

Irmã de Mário Guedes, que morreu misteriosamente junto com colega na floresta, diz que só gostaria de saber que eles não sofreram

Denise Motta, iG Minas Gerais |

“Eu gostaria muito de saber que ele não sofreu, que, se essa morte foi violenta, uma vida tirada de uma hora para outra, mas que pelo menos ele não tenha sofrido. Isso já dá um conforto, saber que foi para um outro plano sem sofrimento.” A declaração da irmã do geólogo Mário Guedes, Maria Inês Guedes, reflete a necessidade das famílias dos dois funcionários da Leme Engenharia em saber o que os levou a morrer de forma misteriosa no Peru. Ela conversou com o iG antes da missa de sétimo dia do irmão, em Belo Horizonte. 

Guedes e o colega dele, o também engenheiro Mário Bittencourt, foram encontrados mortos em Pión, norte do Peru, local conhecido como Amazônia peruana, no último dia 27. A polícia do Peru investiga as causas das mortes dos profissionais, cujos corpos não apresentavam sinais de violência.

“A princípio, foi um desespero geral porque a gente não estava entendendo o que estava acontecendo. Agora, estamos aguardando os resultados. Eu acho que antes de sair todos os laudos fica muito difícil a gente dizer, tudo vai ser especulação e isso não leva a nada, só a mais sofrimento”, lamenta Maria Inês.

Questionada sobre a tese de envenenamento, hipótese considerada pela família de Bittencourt, a irmã de Guedes afirmou ser preciso aguardar exames complementares das autópsias. Ela também não comentou a respeito de supostas ameaças por moradores da região contrários à instalação de uma usina hidrelétrica, projeto em que Guedes e Bittencourt trabalhavam. “Nós achamos, sim, que não foi morte natural, com certeza isso a gente tem. Agora, que tipo de morte, isso aí é o que nós estamos aguardando os exames”.

Maria Inês disse que a misteriosa e repentina morte do irmão interrompeu a trajetória de um homem especial, carinhoso e atencioso com todos à sua volta. “Ele era um homem fora de série. Pai, irmão, filho. Enfim, não tem um amigo que tenha alguma coisa que possa falar do Mário porque ele realmente foi uma pessoa muito especial. É uma pena que tenha terminado assim de uma forma tão rápida e de forma tão inexplicável, por enquanto. Fica muita saudade, é muito difícil de falar, mas aquele oi dele no telefone, aquele jeito carinhoso que ele tinha com todo mundo, isso vai ser difícil”, confessou, emocionada.

Maria Inês e outros familiares de Guedes acompanharam a missa na manhã desta quarta-feira (03). Guedes foi enterrado em São Paulo no domingo (31), enquanto Bittencourt foi sepultado na região oeste de Belo Horizonte nesta terça (02). Até setembro exames complementares à autópsia devem ficar prontos. O atestado de óbito dos dois apontam como causas das mortes edema pulmonar e cerebral, mas muitas fatalidades podem gerar estes dois tipos de ocorrências.

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