Péssimo ou pior no Oriente Médio

Esta é a região onde o imprevisível e o previsível se confundem

Nahum Sirotsky, de Israel |

Um amigo me telefonou. Ele vive em Askelon, a poucos minutos de Gaza. Ligou para dizer que um morteiro caíra na vizinhança. Era anoitecer. Na manhã seguinte, ele chamou novamente para falar de mais um míssil. Não houvera vítimas, apenas gente da família dele recolhida ao hospital com ataque pânico. A pessoa fica sob domínio do medo e exige atenção médica. Na área israelense raramente ocorrem vitimas físicas. Existem excelentes meios de aviso prévio do minuto ou segundos para se chegar ao abrigo. Não demorou e veio a notícia de operação aérea israelense em vingança. Entre as vítimas, um comandante de guerrilheiros do Hamas, a Frente Islâmica de Resistência que tem o domínio de Gaza.

Há pouco veio a promessa de vingança de Gaza. Grupos islâmicos prometem ataques suicidas. O “olho por olho” existe desde tempos bíblicos. Pode não ir além de ameaça. Pode ser ameaça para valer. Esta é a região onde o imprevisível e o previsível se confundem. Havia tranquilidade há tempos. A mulher do amigo contou que era fácil se habituar a calmaria. Agora não sabem o que esperar.

Num paradoxo, que é o contexto em que se vive na chamada Terra Santa, quando isto acontecia no sul do país em Jerusalém se falava de que estava decidido que antes do fim de agosto israelenses e palestinos da Autoridade Palestina iriam iniciar conversações diretas de paz. A decisão, sabe-se, teria sido localmente adotada. Mas, em verdade, por pressões irresistíveis de Obama que deixara claro ou voltavam a conversar paz ou lavaria as mãos e deixaria que se virassem. Lado algum quer mais uma guerra. Seria a mais destrutiva dos cerca de dez confrontos.

Para quem interessa é fundamental saber as diferenças. A Autoridade á reconhecida como a voz dos palestinos. Tanto é assim que há poucos dias a missão palestina em Washington teve seus poderes elevados aos de uma embaixada. A bandeira palestina tremula na capital americana. O Hamas rompido com a Autoridade, semente do governo do futuro estado palestino, é considerado movimento terrorista, com o qual não se negocia.

Não se quer guerra, porém Assad, presidente da Síria que não reconhece a existência de Israel e tem o Golã, parcela de seu território ocupado, prevê maior proximidade de guerra do que de paz. E esta é de arrepiar. O Comandante do Estado Maior das Forças Armadas americanas admitiu existir um plano de ataque ao Irã caso persista no esforço de produzir a Bomba.

É como se vive em Israel, de sete milhões de habitantes e do tamanho do Sergipe. O único país não maometano no Oriente Médio. Vive-se num esforço de autoimposta alienação do povo com o que pode acontecer de pior. E a afirmação da convicção dos religiosos, minoria, que ‘Ele nos protege”.

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