Em Israel, a expectativa é de uma primavera sem flores

Protestos por causa da alta dos preços devem ser intensificados e pelas ruas já se pede a saída de Netanyahu

Nahum Sirotsky, de Israel |

Em Israel, os protestos começaram contra o preço de laticínios. Assim como em todo o mundo árabe, coube ao Facebook ser o instrumento para pôr o povo nas ruas, em manifestações. Cada seguimento da sociedade israelense reivindica interesses específicos, mas a síntese de todos os protestos é que há a necessidade de retomar o estado de bem estar social. Os protestos pedem que todos os cidadãos tenham direito a uma vida sem miséria.

A sociedade israelense não pode ser qualificada de igualitária. Estima-se que apenas vinte famílias dominem a economia do país que tem sete milhões e meio de habitantes. Os protestos em massa têm importância, mas querem soluções imediatas, o que seria impossível. Já é quase consenso nas ruas de que a questão deve ser levada ao Parlamento.

A desigualdade de renda é muito ampla na sociedade. Os protestos enfatizam que para a maioria, o salário não chega ao fim do mês e mesmo para casais com duas fontes de renda, a sobrevivência se dá pelo endividamento interminável.

Benjamin Netanyahu, o chefe do governo, responde às manifestações dizendo que tem consciência do sofrimento causado pelo custo da vida. E designou um grupo de ministros para ouvir e examinar os protestos. Yuval Steinitz, ministro das Finanças de Israel, afirma que não vai transformar “os ricos e os industriais em inimigos do povo”.

Com este cenário, Netanyahu se comprometeu a convocar representantes de todos os segmentos para apresentar suas reivindicações. Ele também pediu para que os ministros criem planos e programas “para aliviar o sofrimento do povo”.

O chefe do governo destacou que “o país enfrenta uma realidade complexa por causa de questões não só internas como também externa. Ele afirmou que o governo deve agir de modo responsável, o que é possível por ter atuado com astúcia durante a crise econômica internacional. “Temos todos os meios, uma economia em crescimento e o menor desemprego em 30 anos”. Isto vai nos permitir fazer as correções necessárias”.

Para Netanyahu será possível mudar prioridades sem prejudicar a economia. No entanto, enquanto espera as decisões do congresso americano, Steinitz é pontual. “Não criaremos uma anarquia”, disse.

O governo tem uma preocupação a mais em agosto. É Ramadan, o mês mais sagrado para os maometanos – período em que ficam de jejum do amanhecer ao anoitecer e também com os nervos a flor da pele.

É comum prever para a chegada de setembro uma série de choques entre israelenses e palestinos. Neste ano também é esperado, além dos choques, reações do povo as promessas de Netanyahu, cuja saída já é exigida pelas ruas.

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