Declaração de Estado palestino será inevitável em setembro

Proposta de Estado com Jerusalém como capital deve ser apresentada pela Liga Árabe durante Assembleia Geral da ONU

Nahum Sirotsky, de Israel |

O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, atual enviado do Quarteto (EUA, Rússia, União Europeia e ONU) para o Oriente Médio, disse recentemente que o presidente americano, Barack Obama, está muito preocupado com as consequências de uma declaração unilateral de Estado palestino durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro.

Ao deixar a chefia da Agência Israelense de Segurança (ShinBet), Yuval Diskin afirmou que Israel não tem como impedir que a assembleia aprove o pedido de reconhecimento palestino. A opinião foi compartilhada no mesmo dia pelo vice-ministro israelense do Exterior, Danny Ayalon, que disse que o país é impotente no caso. A proposta de reconhecimento de um Estado palestino com Jerusalém como capital deve ser apresentada pela Liga Árabe.

Gaza é uma estreita faixa de terra entre Israel e Egito. Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel conquistou a Península do Sinai e Gaza. Depois da guerra de 1973, que terminou num armistício, Israel devolveu o Sinai em trcoa da paz. Mas o Egito não quis Gaza com seu mais de milhão de palestinos. Na mesma guerra de 1967, Israel conquistou da Jordânia a Cisjordânia, braço ocidental do Rio Jordão.

A conquista de Jerusalém, onde ficam os seus mais sagrados lugares, Israel classificou de retorno. Recordou que há 2 mil anos havia sido expulso dela pelos romanos.

A Autoridade Palestina foi criada num período em que parecia haver avanços para uma paz final entre o Estado judeu e os paletinos. Enquanto a paz não avançava, cerca de 350 mil judeus se assentaram nos territórios ocupados da Cisjordânia, onde Israel mantém controle de Jerusalém.

Os palestinos insistem que têm direito à parte antiga de Jerusalém para a capital de um país que ocuparia toda a Cisjordânia e a Faixa de Gaza se fosse respeitada o traçado das fronteiras anteriores à guerra de 1967. Israel diz que essas linhas são inviáveis e indefensáveis.

O partido laico Fatah, do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, e o movimento islâmico Hamas estavam rompidos desde 2007 por desentendimentos políticos. Reconciliaram-se há poucas semanas num trabalho diplomático realizado pelo atual governo militar do Egito. A reunificação facilita a aprovação do reconhecimento de um Estado, num trabalho diplomático muito hábil empreendido por Abbas há vários anos.

Composta por 22 países, a Liga Árabe totaliza 356 milhões de habitantes. O total mundial de muçulmanos é estimado em 1,5 milhão. Já superam o número de católicos e correspondem a 52 países
ao todo - ou 52 votos na ONU, cifra considerável para qualquer país-membro.

A proposta poderá obter acima de 160 votos, o bastante para ser aprovada na assembleia geral. O Egito já adotou medida favorável ao Hamas. Gaza vivia bloqueada de Israel de um lado e de outro pelo Egito, que abriu a passagem para o Sinai, pondo fim à grande parte do bloqueio.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, já declarou que Jerusalém nunca mais será dividida e deixará de ser a capital de Estado judeu.

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