Decepção deve substituir orgulho por pedido palestino na ONU

Reivindicação de adesão plena à organização foi provável erro estratégico; palestinos ainda estão obrigados a negociar com Israel

Nahum Sirotsky, de Israel |

É inevitável. Numa questão de dias os palestinos estarão decepcionados em vez de orgulhosos com o discurso pronunciado pelo presidente Mahmud Abbas na sexta-feira, quando pediu o reconhecimento de um Estado palestino com status pleno perante a 66ª Assembleia Geral da ONU.

A carta com o pedido de votação no Conselho de Segurança, composto por 15 membros (dos quais EUA, Reino Unido, França, China e Rússia são permanentes, com direito a veto), talvez tenha sido um grave erro estratégico.

O principal órgão das Nações Unidas raramente decide com urgência. A votação demorará - se é que chegará a ocorrer. Se a proposta tivesse sido encaminhada diretamente à Assembleia Geral, já poderia ter sido aprovada. O Estado palestino seria reconhecido como observador, a mesma posição que tem o Vaticano.

O status de observador nao implica em poder político, mas com ele os palestinos poderiam indicar representantes para quase todas as inúmeras comissões da ONU existentes. Com ele, estariam dentro da organização.

O Conselho de Segurança pode levar um mês ou mais para decidir. E mesmo que os palestinos consigam os 9 dos 15 votos necessários para aprovar sua reivindicação, o presidente dos EUA, Barack Obama, já declarou que vetará a medida. Assim como Israel, os EUA argumentam que o estabelecimento de um Estado palestino só é possível pela negociação entre as partes. 

O mesmo raciocínio têm Reino Unido e França, que poderiam também vetar a iniciativa - o que ajudaria Washington a não impedir a medida unilateralmente. Dos cinco membros permanentes, China e Rússia são votos certos em favor dos palestinos.

Em poucos dias talvez os palestinos descobrirão que discursos e aplausos nao resolvem problemas. Os palestinos não voltam para casa com uma vitória. Terão de negociar com os israelenses.

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