Datas nacionais e protestos medem temperatura para diálogo

Se datas tiverem manifestações pacíficas, será um sinal de que israelenses e palestinos podem voltar a negociar

NAHUM SIROTSKY |

Israel tem em seu calendário duas datas nacionais para celebrar, todos os anos, a memória de vítimas de tragédias que marcaram o povo judeu. No Dia do Holocausto, celebrada internacionalmente por decisão das Nações Unidas, são lembrados os milhões de judeus assassinados pelas forças nazistas de Adolf Hitler.

A instituição dedicada a documentar para sempre esta tragédia é a Yad Vsshem, cuja sede, em Jerusalém, conta com três milhões de nomes de vitimas dos campos de concentração nazistas.
Hoje foi o Dia da Lembrança – data em que são homenageados os 26 mil israelenses mortos nas guerras que o país enfrentou desde a declaração de sua independência, em 1948.

No cemitério em Jerusalem, comparecem avós, mães, mulheres, filhos, diplomatas e autoridades. Os mortos são, na sua maioria, jovens entre 18 e 30 anos. Nessa época, o governo promove eventos por vários cantos. Os principais ficam próximos ao Muro das Lamentações, em Jerusalém , o lugar mais sagrado do povo judeu. Trata-se do muro que resta do Segundo Templo.

As lideranças civis e militares, o presidente do país, o chefe de governo, o comandante das Forças Armadas e o rabino- chefe destacam para as famílias os feitos dos mortos que garantiram a sobrevivência e o desenvolvimento do Estado judeu desde 1948.

Um Estado que foi proclamado com menos de 700 mil habitantes, e enfrentou várias guerras, períodos de terrorismo, que hoje tem perto de oito milhões de habitantes, e vive sob permanente ameaça de conflitos, mas que progrediu de economia agrícola para ser uma potencia em ciência e tecnologias.

As preces, todas, falam do sonho multimilenar de paz ainda não realizado até agora.
Nesse contexto é que Israel entra num período muito delicado neste momento.

No próximo dia 15, os palestinos da Fatah secular e do Hamas de ideologia teocrática promovem uma grande manifestação popular conjunta como forma de protesto. Embora estivessem rompidos até pouco tempo, as duas entidades assinaram, recentemente, um acordo de reconciliação.

No próximo dia 15 será também o dia do Nakba, o Dia da Catástrofre – data em que os árabes palestinos “celebram” o nascimento do Estado judeu e a questão dos refugiados – que seriam 700 mil, há 63 anos, e hoje são milhões, espalhados pelo mundo.

O Dia da Independência será celebrado a partir de amanhã e vai até a próxima terça-feira. Os refugiados são uma das questões mais complexas a serem resolvidas caso sejam retomadas as negociações de paz interrompidas desde setembro de 2009.

Se o dia 15 for de manifestações pacíficas, será um sinal de que, talvez, os lados voltem a negociar. Os palestinos diziam preferir submeter seu pedido de independência às Nações Unidas.

Talvez prefiram negociar uma solução pacífica de seu conflito com Israel. Abu Mazen, presidente da Autoridade Palestina, acaba de declarar que prefere a negociação a um conflito. Aparentemente, depois da reconciliação, e apesar de se sentirem mais fortes, os palestinos estão se conscientizando de que não conseguirão ser reconhecidos como um país por meio da força.

Os países árabes atravessam uma fase de imensa instabilidade, e não podem oferecer ajuda alguma.
Os palestinos só recentemente começaram a construir seu Estado. Desperdiçaram 63 anos.

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