Começo da terceira revolta?

Palestinos pressionam Israel em suas fronteiras. Como impedir a invasão sem o uso de força?

Nahum Sirotsky, de Israel |

Os confrontos de domingo entre israelenses e palestinos talvez não se repitam em futuro próximo. Mas pode ter sido o começo de nova Intifada ou revolta. Só os próximos dias dirão. Alguns analistas apostam no pior. Consideram que foi testada uma nova tática, uma revolta visando desgastar a imagem e a força israelense pelo emprego de forças desarmadas. Nova tática de guerra de atrito.

Numa manhã do dia 5 de junho de 1967, começou a terceira guerra entre o mundo árabe e o estado judeu estabelecido em 1948. O Naksa , que alguns palestinos me traduziram por contra-tempo e outros por recuo ou atraso, foi pela primeira vez marcado por tentativas de refugiados palestinos, e descendentes, de romperem pelas fronteiras de Israel.

Houve o precedente de 15 de maio quando marcaram o Naksa, dia da tragédia, dia da proclamação da independência de Israel e criação de refugiados. Em verdade, a rua árabe é a nova ameaça que se revelou na revolta do povo tunisiano contra o seu ditador que derrubaram, repetida no Egito e, no momento, por quase todos os países árabes do Oriente Médio e África do Norte.

O Facebook e demais redes sociais são o grande instrumento de mobilização das massas. A rua perdeu o medo. Na Síria já caíram vitimas das forças que defendem o ditador, mais de mil populares. Os palestinos, porém são um caso a parte. Por decisão da Liga Árabe os refugiados, aqueles que se viram deixando suas terras e lares no que se chamava Palestina, hoje Israel, nunca tiveram o direito de se tornarem cidadãos de países árabes que os receberam. A alegação foi de que, mantidos sem direitos, seriam um peso na consciência da Comunidade Internacional e, por consequência, com mais probabilidade de voltarem. Os refugiados e seus descendentes são apátridas.

A Guerra de 1967 foi vencida por Israel em seis dias e expandiu seu espaço. O direito de retorno é uma das exigências da Autoridade Palestina para uma paz com Israel. Depois de 1967, houve a guerra de 1973, duas com o Líbano e uma com o Movimento Islâmico de Resistência, o Hamas, que domina a Faixa de Gaza. Israel saiu-se bem. Mas enfrentar civis desarmados que tentam invadir o pais é questão muito sensível. Não se pode admitir a invasão. Como impedir a invasão sem o uso de força? Os palestinos recorreram inclusive a botar crianças na vanguarda.

Sabe-se de adultos vitimados, Shaids, mártires como entram para a história e, segundo algumas tradições, no Paraíso. Os árabes revoltados , com muitas vitimas, continuam indo às ruas contra sistemas autoritários. Não se teme mais nem as forças de segurança nem a morte.

Os palestinos estão determinados a conquistarem no mínimo um estado independente. A data é setembro. Quanto mais demonstrarem que se dispõem a tudo maiores seriam suas possibilidades de sucesso. É o que dizem analistas que acreditam que começou a Terceira Intifada.

Veja imagens dos confrontos na fronteira com a Síria neste domingo:


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