Com os olhos em Gaza

Especialista sugere que Israel se desengaje, desligue-se totalmente da Faixa de Gaza. Questão não é tão simples assim

Nahum Sirotsky, de Israel |

A Copa é acompanhada com máximo de interesse, mas os problemas existentes não deixam tranquilos os cidadãos. O que fazer com Gaza? Analistas dos mais conceituados defendem que Israel deve desistir de controlar a estreita faixa de terra de 400 quilômetros quadrados dentro da qual se apertam 1,5 milhão de palestinos sob o governo do Movimento Islâmico de Resistência, o Hamas.

Aluf Ben, analista do diário Haaretz, qualificado de esquerda, explica que Israel mantém o bloqueio de Gaza “para compelir os palestinos a reuni-la com a Cisjordânia” sob liderança amigável, no caso de Abu Mazen, presidente da Autoridade Palestina. Para pressionar o Hamas a não lançar mísseis sobre Israel, ou impedir tentativas de atacar por quaisquer meios, para manter a ficção que Abu Mazen é a verdadeira autoridade em Gaza, evitar problemas com o Egito que teme as consequências de liberdade de passagem de palestinos de Gaza ao Sinai, ele propõe que Israel se desengaje, desligue-se totalmente de Gaza. Informe à comunidade internacional que abandona a responsabilidade pelo bem-estar de sua população. Mas acentua que “aqueles que se opõem à existência de Israel persistirão em sua atual linha”. “Mas a audiência que interessa são os governos ocidentais dos quais precisa de apoio e relações diplomáticas e econômicas.” São tais governos que pressionam para que Israel suspenda o bloqueio. No que ele diz expressa os sentimentos de grande parte da população israelense. Mas não é tão simples.

Um texto assinado por Khaled Abu Toameh, correspondente internacional e publicado no “Jerusalem Post”, diz que a Autoridade Palestina presidida por Abu Mazen em Ramallah preocupa-se com a aproximação da Turquia com o Hamas. Considera que vai dificultar ainda mais a hipótese de uma reunificação dos palestinos. Mahmoud Abbas (Abu Mazen), diz a informação, terá manifestado ser favorável a suspensão do bloqueio só na hipótese do Hamas desfazer o que chama de golpe de estado e se submeter a sua autoridade.

Ele assim o fez em sua mais recente visita a Turquia.

Há alguns anos, o Hamas expulsou de Gaza todas as representações do governo Abu Mazen e de seu partido, o Fatah, e assumiu o poder. Erdogan, o chefe do governo turco, considera fundamental a reunificação, e se propôs como mediador no que foi aceito por Abu Mazen. Nada aconteceu desde então. Mas o Hamas não reconhece o direito de Israel existir e apesar de ser sunita, seita oposta daquela do Irã, tem com Teerã, a melhor das relações. É um inimigo perigoso. O que fazer com o Hamas?

    Leia tudo sobre: Faixa de GazaIsrael

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG