Bibi bate em ministro

O primeiro-ministro e chefe de governo de Israel tem o trabalho mais difícil

Nahum Sirotsky |

É provável que o mais difícil trabalho é o de Primeiro Ministro e chefe de governo de Israel. Ele se defronta às 24 horas do dia com a questão das relações com os árabes em geral e palestinos em particular. Cada gesto e cada palavra dele são analisados pelos seus vizinhos que sempre encontram com o que discordar. O mínimo desagrado precipita reações negativas que chegam aos quatro cantos. Não há hipótese de agradar.

Pior, porém, é a política interna. O homem é de circo. Nunca se sabe se é mesmo a favor ou pelo contrário, quais suas intenções. As oposições se empenham em pegá-lo como quem não diz nunca a verdade. O seu gabinete, ministros, fora as rotinas de seus ministérios vivem na maior confusão. Ele tem genial jogo de corpo.

O sistema é parlamentar o que implica em que todas as resoluções que não sejam as rotineiras têm de ser aprovadas por uma maioria dos ministros para poderem ser encaminhadas a voto com segurança de serem aprovadas. Acontece que o Ministério é integrado de partidos de todas as tendências. São desde extrema direita à esquerda. São tão compatíveis quanto o azeite e a água. Mas é a salvação. Todos amam seus cargos e vantagens. Dizem o mais atrevido do que pensam a jornalistas, porém como anônimos, sem por em risco suas posições. Mas se podem ser lidos e reforçam sua imagem perante seu eleitorado afirmam e assumem. Preferem preservar a Coligação. Eleição é sempre um risco que é melhor evitar.

Benjamin ‘Bibi’ Netanyahu está sempre navegando por mares perigosos, porém como um peixe dentro da água. Hoje foi dia que poderia ser de tempestade. Avigdor Lieberman, emigrante do desaparecido império soviético, criou um partido do nada e é seu,”Israel, Nossa Casa”, tem o apoio dos que viveram sob o sistema soviético e tem ojeriza pelo comunismo. São tantos que tem suas emissoras de rádio, canal de televisão, imprensa diária fortíssima, tudo em russo. São ultranacionalistas. Lieberman é um líder que não admite dúvidas sobre o que decide. Tem 15 votos no Parlamento. É ministro do Exterior sem muitas delicadezas diplomáticas.

Boas relações entre Israel e a Turquia são fundamentais. Existem diferenças desde que Israel impediu que navio de bandeira turca rompesse o bloqueio marítimo de Gaza à custa das mortes de vários que nele viajavam. A Turquia quer pedido de desculpas de |Israel. O caso voltou à tona quando o navio foi devolvido aos turcos hoje. Lieberman com seu notório estilo declarou que os turcos são muito atrevidos em sua exigência. E aproveitou para reafirmar sua pública falta de fé no processo de paz com os palestinos. Usou linguagem pouco adequada e ideias que diplomata algum jamais assume de público. Diplomacia é para resolver conflitos.

Bibi não demorou a falar: “Apenas o Primeiro Ministro quando fala representa a posição do governo”, declarou a turcos e palestinos, aos árabes e ao mundo ao desautorizar seu Ministro do Exterior que começou a vida como leão de chácara de uma boate em Tel Aviv. Amanhã, de Lieberman, se saberá se ele se ofendeu. Conveniência é sempre fator de peso. Ficar fora do poder não é vantagem.

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