Ataque à frota representa derrota para Israel

Em momento de apoio estremecido dos EUA, partidos da coalizão apoiam Netanyahu por temer ascensão do centrista Kadima

Nahum Sirotsky, de Israel |

AP
Primeiro-ministro Benyamin Netanyahu
O primeiro-ministro de Israel, Benyamin “Bibi” Netanyahu, é o homem forte no atual quadro político de Israel. Não existe nenhuma outra liderança com a experiência dele. A ex-chanceler Tzipi Livni, que assumiu a liderança do Kadima nas eleições primárias do partido, não tem nem o carisma nem currículo para competir com ele.

O Kadima, partido criado pelo ex-premiê Ariel Sharon (2001-2006) para ocupar o centro político israelense, perdeu sua oportunidade com a doença do único líder político ativo com origens nas lutas que resultaram na formação do Estado israelense. Sharon, grande herói de todas as guerras, afastou-se do direitista Likud com algum plano que não teve oportunidade de realizar.

O grande incentivador da construção das colônias em territórios ocupados dava sinal de que imaginava um esquema de paz - a paz com concessões aceitáveis. Era um líder temido. Sabia impor suas ideias. E, perante os palestinos, tinha liderança. Era chamado de buldogue pelas costas por não largar o osso. Não respeitava regras. Sofreu um problema neurológico e está em estado vegetativo desde janeiro de 2006. É mantido vivo por meio de máquinas.

“Bibi” nasceu em Tel Aviv em 1949. Cresceu em Jerusalém e passou os anos do ensino médio nos EUA, onde seu pai, Benzion, ligado ao revisionismo, campo político da direita, ensinava numa universidade.
Em 1967, voltou a Israel para cumprir seu serviço militar obrigatório e optou em atuar como voluntário em uma unidade de elite. Participou de varias ações de alto risco e, quando capitão, foi ferido numa delas. Com seis anos como militar, os últimos numa unidade comandada pelo atual ministro da Defesa Ehud Barak, o mais condecorado soldado da história israelense, Bibi foi ferido e desligado do serviço ativo.Tem uma história de guerras e condecorações.

Fora do uniforme estudou no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), uma das mais conceituadas universidades americanas. Graduou-se em arquitetura, obteve mestrado em Ciências de Administração, estudou ciência política na Universidade de Harvard.

Em 1979 iniciou e organizou uma conferência internacional sobre terrorismo patrocinada pelo Jonathan Institute, criado em homenagem a seu irmão Jonathan, comandante e único morto na Operação Entebe. Grandes nomes participaram. Um ex-secretário de Estado americano afirma que as conclusões da reunião levaram a mudanças das políticas dos Estados Unidos do confronto com terrorismo.

Depois dessa reunião foi nomeado o numero dois na embaixada israelense em Washington e, em seguida, embaixador nas Nações Unidas. De volta a Israel foi eleito para o Parlamento. Em 1991, foi designado negociador de uma paz com Síria, Líbano e em uma delegação mista jordaniana-palestina que fracassou.

Em 1993, como líder do Likud, assumiu como primeiro-ministro após uma vitória eleitoral. Como premiê negociou acordos com os palestinos pelos quais lhes entregou a administração de várias cidades. Tinha prometido mais se os palestinos suspendessem, como prometiam, as operações de terrorismo. Como eles não o fizeram, as conversas foram suspensas.

Coalizão governista

Numa disputa eleitoral em 1999, foi derrotado por Barak, cujo governo seria derrubado por Sharon que, por sua vez, foi derrubado pela doença neurológica. Como ministro das Finanças de Sharon, promoveu reforma econômica firmando a aplicação dos princípios do livre mercado. E, nas eleições de 2009, foi novamente eleito primeiro-ministro. Formou um gabinete com predomínio da direita. Em Israel todos os governos são de coligação. Em 62 anos de existência, partido algum jamais conseguiu maioria absoluta. 

O ministério resulta de complicadas negociações que terminam em compromissos por escrito entre o chefe do governo e os partidos. Raros governos completam seus mandatos, pois acabam sendo derrubados pela insatisfação de coligados. Mas a atual oposição israelense é muito fraca, e os partidos coligados sabem que a queda de Bibi implicaria na ascensão de Livni, do centrista Kadima, cujo programa é o oposto daquele do Likud. Não a querem inclusive porque a situação israelense exige um pulso forte e nervos de aço. Não existe sequer a segurança absoluta de apoio americano a Israel. 

As negociações indiretas de paz entre o goveno Netanyahu e o governo palestino de Mahmoud Abbas não avançam com a velocidade desejada pelo presidente dos EUA, Barack Obama, que tinha convidado Bibi a um encontro com ele na Casa Branca. Netanyahu fora antes ao Canadá. Suspendeu o encontro com Obama por causa de um ataque de Israel, em 31 de maio, contra um navio de bandeira turca transportando carga e gente para uma operação cujo objetivo era romper o bloqueio a Gaza . Houve mortes e feridos. E as piores reações contra Israel. E tudo explicado em versões majoritariamente contra Israel e minoritariamente favoráveis. E a cada dia piora a imagem internacional do Estado judeu.

Só uma investigação por uma comissão de indivíduos do mais alto conceito poderá se aproximar da verdade. As Forças de Defesa de Israel nomearam nesta segunda-feira que conduzirá uma investigação militar interna sobre a ação.

Netanyahu e o ministro da Defesa Ehud Barak são velhos amigos. Um é o líder inconteste do Likud direitista, outro o líder do Partido Trabalhista supostamente da esquerda. Foram eles que ordenaram a operação, cujas consequências ainda estão em processo. Apenas começam a se manifestar. A derrota face à opinião pública em grande parte causada pelo choque provocado pelo noticiário é inegável. Uma derrota do governo Bibi. Uma derrota para Israel.

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