Arcebispo nega existência de `povo escolhido¿

Durante Sínodo para o Oriente Médio, bispos pedem fim de assentamentos israelenses em territórios palestinos

Nahum Sirotsky, de Israel |

Reuters
Papa Bento 16 encerra Sínodo para o Oriente Médio com pedidos por paz e liberdade religiosa
O arcebispo Greco-Melquita Cyrille Salim Bustros afirmou neste domingo, durante o Sínodo para o Oriente Médio, que não se pode falar em “povo escolhido”. “As Escrituras não podem ser usadas para justificar o retorno dos judeus a Israel e a ocupação de terras palestinas”, afirmou ele no evento, realizado no Vaticano e convocado pelo papa.

“Jesus anulou o valor da promessa da terra aos judeus. Não existe mais um povo escolhido. (Desde Jesus) todos os homens e todas as mulheres de todas as terras são povo escolhido”, continuou o arcebispo, nascido no Líbano.

Durante o encontro, uma comissão presidida por Bustros redigiu uma declaração final na qual os bispos denunciam o antissemitismo e condenam o terrorismo, mas culpam principalmente Israel pelo conflito no Oriente Médio.

O documento faz um apelo para que a Comunidade Internacional exija que Israel cumpra uma resolução do Conselho de Segurança aprovada em 1967, ano da terceira guerra árabe contra Israel desde sua proclamação em 1948. Esta resolução determina que Israel se retire de todas as terras ocupadas então.

O vice- ministro do Exterior de Israel qualificou o documento como expressão da propaganda árabe e pediu que o Vaticano não assuma as opiniões de Butros.

No domingo, o papa Bento 16 pediu mais liberdade religiosa no Oriente Médio e observou que, muitas vezes, a liberdade para praticar o catolicismo na região é limitada. “A paz é possível. A paz é urgente”, afirmou.

Autoridades israelenses e palestinas estão em intenso contato com os Estados Unidos, que buscam formas de promover a retomada das negociações. Mas o que o Sínodo exigiu não é viável: centenas de milhares de judeus estão em territórios palestinos. É irreversível.

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