Agora começam os dias mais perigosos da revolução no Egito

Correspondente do iG em Israel analisa os problemas a serem enfrentados depois da queda do didator no Egito

Nahum Sirotsky, de Israel |

As forças armadas assumiram a responsabilidade de restabelecer a ordem para recolocar o Egito em condições de governabilidade. Devem transformar o sistema autocrático numa democracia. No período, terão de organizar a economia e distribuir melhor a renda. Cerca de 35 milhões dos 80 milhões de egípcios sobrevivem com menos de dois dólares ao dia, o que precisa ser rapidamente corrigido.

As estatísticas do desemprego são falsas. Há uma multidão não contabilizada de jovens formados nas universidades que não consegue trabalho nem como caregadores. “Bagshish”, as gorjetas, são pedidas por todos os cantos e pelos menores serviços. Os ricos vivem como nababos. Os problemas a serem enfrentados são gigantescos.

A magnífica revolta popular que não teve lideranças nem armas deixaria Gandhi, o herói da independência da Índia, mais do que orgulhoso. O povo perdeu o medo da autoridade. Foi um exemplo que deve ter penetrado na imaginação de massas miseráveis por todos os cantos. Não existem nos dias correntes, com o mundo olhando, condições para ditadores reagirem com matanças. O povo do Egito é notório por ser pacifico e conformado. Perdeu o medo.

E agora? Agora, a grande maioria imagina que derrubado o ditador e os que viviam dele, começarão dias melhores. Aladim, o paupérrimo garoto que vivia na rua encontrou o gênio da lâmpada. Com certeza o povo acredita que os novos homens no poder são mágicos. Saiu Mubarak e começam os dias maravilhosos pelos quais arriscaram a própria vida.

Mas agora começam os dias mais perigosos da revolução. A hora de resolver os problemas na prática. E serão necessários anos. Logo organizam eleições e se terá as demais liberdades, o respeito pelos direitos humanos. Mas não se traduzirão de um dia para o outro em soluções das questões que angustiam o país. Não faltam problemas a serem solucionados num país de tão elevado coeficiente de miséria. Tempos de mais sacrifícios virão e colocarão em jogo os objetivos da revolução. O povo não só perdeu o medo como a paciência.

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