Revolta dos povos egípcio e tunisiano restauraram onfiança dos palestinos no seu futuro. Israel não aceitará solução imposta

Duas vozes ameaçam Israel. Abu Mazen, como é conhecido no Brasil o presidente da Autoridade Palestina Mahmud Abbas, declarou ao presidente chileno, em visita a Ramallah, que chegou a hora "de a Palestina se transformar em um membro permanente das Nações Unidas". Ele reiterou à oposição de seu governo e partido a ideia de um Estado com fronteiras temporárias, atribuída aos israelenses. E expressou a Sebastián Piñera, presidente do Chile, que é esperança de declarar o Estado palestino indepentende nas linhas fronteiriças de 1967 no setembro próximo. E culpou Israel pelo atual impasse nas negociações de paz.

Khaled Mashaal, líder político da Frente de Resistência Islâmica (o Hamas), exilado em Damasco, na Síria, clamou na conferência sobre Jerusalém que tem lugar na capital do Sudão, Cartum, que o primeiro passo para a liberação da cidade da ocupação por Israel será a reconciliação entre o partido Fatah, de Abu Mazen, e o Hamas, cuja posição é de "jihad" – guerra santa. O atual status da parte oriental de Jerusalém, conquistada em 1967 pelos israelenses e unificada com a parte ocidental, é de “capital unida e única de Israel”.

E é bom lembrar que o presidente Mubarak, do Egito, recentemente derrubado do poder, tentou por todos os meios, políticos e diplomáticos, promover a reconciliação entre os grupos palestinos e a retomada das negociações com Israel, interrompidas em setembro do ano passado. Fracassou.
O presidente do Sudão, que hospeda a 8a conferência sobre Jerusalém, financiada pelo Irã, declarou hoje, domingo, seu apoio ao povo palestino. Omar al-Bashir, reiterou que "o que está acontecendo agora na região é o prelúdio da 'batalha' por Jerusalém”. O que é mais preocupante para os israelenses é que al-Bashir afirmou que o acordo de paz com o Egito, de 1979, "foi um choque que o povo árabe não esqueceu até agora", insinuando a intenção de promover o fim do entendimento. Ficou implícito que serão desenvolvidas pressões para que também a Jordânia suspenda seu acordo com Israel.

O governo provisório do Egito, porém, declarou que pretende respeitar todos os compromissos do país, inclusive o acordo de paz com Israel. Piñera, do Chile, esteve com o primeiro-ministro de Israel Bibi Netanyahu antes de ir ao encontro de Abu Mazen em Ramallah. O Chile foi um dos países latino-americanos que reconheceu o Estado palestino. E seu presidente afirmou que sempre apoiou a existência de Israel dentro de fronteiras reconhecidas e que defende "que os palestinos têm o mesmo direito a seu próprio Estado democrático e independente".

Netanyahu terá declarado ao visitante chileno que Israel está preparado para sentar com Abu Mazen e negociar a paz. Mas, disse, “os palestinos sempre encontram motivos para não voltarem a negociar". Para Bibi, o líder palestino considera que tem o apoio majoritário da comunidade internacional. E seus porta-vozes insistem que em setembro próximo contarão com o voto de 150 países, o bastante para a proposta palestina ser aprovada com maioria a Assembleia Geral das Nações Unidas. Abu Mazen vem apelando ao Quarteto (EUA, ONU, Rússia e UE), para "forçar Israel a acabar com sua agressão e ocupação das terras palestinas".

Em Cartum, o líder político do Hamas declarou que a revolta dos povos egípcio e tunisiano restauraram a alta confiança dos palestinos no seu futuro. A queda de Mubarak foi muito comemorada pelo Hamas, que administra a Faixa de Gaza, bloqueada nos últimos anos de um lado por Israel e, de outro, pelo Egito.
Netanyahu já repetiu inúmeras vezes que só é possível uma solução da questão palestina em negociações diretas entre a delegação palestina e Israel. Ambos os lados sabem que terão que realizar sérias e dolorosas concessões só definíveis em negociações. Israel não aceitará solução imposta, sejam quais forem suas origens.

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