A reconciliação palestina e a questão da paz com Israel

Com assinatura de armistício entre Fatah e Hamas, passa a existir uma única Palestina

Nahum Sirotsky, de Israel |

As delegações do Movimento de Libertação da Palestina, o Fatah, e do Movimento de Resistência islâmica, o Hamas, já estão no Cairo, Egito. O atual governo interino do Egito conseguiu convencer a ambos que devem se reconciliar e reunificar em benefício do povo paslestino.

A hudna (armistício) deverá ser assinada na quarta-feira. Passa a existir uma única Palestina. A Faixa de Gaza deixa de ser uma segunda Palestina. Haverá um grupo de tecnocratas que resolverá todas as questões necessárias a consolidarem a fusão antes de setembro, quando será levada às Nações Unidas a proposta de proclamação de reconhecimento do Estado palestino independente. Primeiro ao Conselho de Segurança e, na hipótese de veto americano, à Assembleia Geral, onde se prevê que será aprovada.

Uma primeira e quase imediata consequência é a decisão do Egito de suspender o bloqueio que fazia a Gaza. Tornará livre aos palestinos a passagem entre Gaza e o Sinai, fechada desde 2007. Ela permanecerá fechada do lado israelense. O bloqueio perde seu valor.

A Palestina reunificada terá 4 milhões de habitantes. Israel tem cerca de 7 milhões, sendo que seis milhões são de judeus e os demais, de árabes e outras minorias. A reunificação implica em haver uma só autoridade central que no momento é a Autoridade Palestina com capital provisória em Ramala. O Fatah quer um Estado secular, o Hamas pretende Estado sob as leis religiosas do Shaaria. Cada um tem sua própria infraestrutura de governo e burocracia.

Forças armadas, polícia, sistema educacional de inspiração diferente. Os sistemas de leis terão de ser compatibilizados no Judiciário. É complicado, pois em certos círculos predomina o ceticismo. Não vai dar certo, mas o Egito, maior país árabe, tem interesse maior no sucesso que confirma sua influência. O Fatah de Abu Mazen já prevê eleições gerais para dentro de um ano. O Hamas tem todas as possibilidades de ser o próximo governo. Pode dar certo.

A questão é que o Hamas tem por ideologia o objetivo de destruir Israel no que conta com o apoio do Irã. O futuro Estado terá de obter a definição de suas fronteiras, de um espaço que atravesse seu território para que a futura Palestina tenha ambas suas partes conectadas.

Questões tais como acesso a águas e inúmeras outras. O Hamas terá de desistir publicamente de seu programa de destruir Israel. Israel já firmou posições. Todas as questões terão de ter suas soluções negociadas. A proclamação unilateral da independência não é aplicável por imposição.

A Autoridade Palestina do Fatah resistia a negociar com Israel. O programa do Hamas é inaceitável a Israel, pois implicaria abrir mão de necessárias medidas de segurança, de defesa nacional. Tudo que se diga agora sobre como será só tem o valor de especulações que dependem do ponto de vista do autor. Mas não é fácil imaginar solução pacífica.

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