Israel monta governo precário e pode ter novas eleições

Por Nahum Sirotsky - Correspondente em Israel |

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Netanyahu conseguiu reunir apenas 61 parlamentares, de um total de 120

O premiê Benjamin Netanyahu conquistou, nas urnas, o direito de montar coalizão governamental, apenas com a centro direita. Seria a primeira vez, desde 1948, que isso ocorreria. Entretanto, vaidades e mal entendidos deixaram o novo governo em situação difícil.  

O Parlamento de Israel é formado por 120 cadeiras. Em março, o bloco nacionalista venceu as eleições. No total, chegou a 67. Até agora, seguindo o protocolo e respeitando o prazo dado pelo presidente Rueven Rivlin, negociava com os partidos aliados a composição do Gabinete.  

Esta foi a terceira vitória seguida de Netanyahu, a quarta no total. Em 2013, uniu seu partido, o Likud, ao Israel Beitenu (Israel Nossa Casa), de Avigdor Lieberman, ex-ministro de Relações Exteriores.  

Para este ano, Lieberman resolveu concorrer sozinho. Analistas políticos afirmaram que havia falta de sintonia com o primeiro ministro. No entanto, ninguém imaginava o que estava por vir. 

O Israel Beitenu, de última hora, anuncia a entrada na oposição, deixando os governistas sem tempo hábil para procurar reposição. Os situacionistas vão, para os próximos quatro anos, com a maioria mínima. Apenas 61.  

Além de 30 do Likud, são 10 do partido Kulanu, do ministro da Fazenda, Moshe Kachlon. Os religiosos HaBait HaYehudi (A Casa Judaica), Shas e Yahadut HaTorá (Judaísmo da Torá) completam com 8, 7 e 6, respectivamente.  

Não há margem de segurança. Qualquer desavença pode derrubar o Gabinete. O sucesso obtido junto ao povo não foi repetido durante as negociações políticas. Lieberman se vingou do esfriamento que Netanyahu lhe aplicou, de maneira cruel.  

O castigo veio à galope. Ele bateu o pé, firmou posição e disse não se ver obrigado, novamente, a se submeter aos caprichos do premiê eleito. Decisão pessoal. 

Israel prepara-se para novas eleições, em breve. O novo governo está, literalmente, na corda bamba. Líder da oposição, o trabalhista Isaac Herzog, não descarta negociar rodízio de poder com Netanyahu, mas deve enfrentá-lo novamente, nas urnas.  

*Colaborou Nelsinho Burd

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