Sentença contra Mohamed Morsi traz tranquilidade ao atual presidente do Egito

Por Nahum Sirotsky - Correspondente em Israel | - Atualizada às

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Além de Israel, Ocidente enxerga general Al-Sisi como alguém estável, o que pode mantê-lo por mais alguns anos no poder

O ex-presidente do Egito, Mohamed Morsi, foi condenado a 20 anos de prisão por reprimir, violentamente, protestos ocorridos em dezembro de 2012, que resultaram em mortes. Outras 14 pessoas, também ligadas à Irmandade Muçulmana, receberam penas similares da Justiça. 

A Primavera Árabe, processo iniciado em dezembro de 2010 em vários países do Oriente Médio, causou a queda do governante egípcio Hosni Mubarak. Dentre os protestantes, que exigiam mudanças estruturais, estavam membros de um grupo radical islâmico do Cairo, fundado em 1928. 

General Abdul Fatah Khalil Al-Sisi assumiu a presidência do Egito em maio de 2014
Reprodução/Facebook
General Abdul Fatah Khalil Al-Sisi assumiu a presidência do Egito em maio de 2014

Morsi conseguiu trazer para a Irmandade Muçulmana as atenções e o protagonismo de um levante, até então, popular e estudantil. Chegando ao poder através de eleições diretas, acabou vítima dos próprios apoiadores rebeldes dois anos depois. Sua gestão deixava o povo em situação socioeconômica pior do que a vivida com Mubarak.

Centenas de milhares de pessoas protestavam na praça central. Foi ordenada forte reação da Guarda Presidencial contra os manifestantes. Houve mortes. O Comando Militar Nacional deu ultimato: ou renúncia de Morsi, com garantias, ou remoção da segurança. A primeira opção teve de ser aceita. O general Al-Sisi assumiu. 

O caos egípcio, além da questão social, era quase de guerra civil. Na região do Sinai, soldados do Exército eram assassinados por guerrilhas beduínas que colaboravam com a Al-Qaeda. 

Leia também: Crises no Oriente Médio podem decidir presidenciáveis nos EUA

A Irmandade Muçulmana abria pela fronteira com a Faixa de Gaza túneis para tráfico de armas, visando ajudar o aliado Hamas. Al-Sisi, há poucos dias, resolveu esta questão.

A condenação de Morsi, juridicamente, é correta. Politicamente, abafa oposição ferrenha, que tem o dom de, através do radicalismo religioso, trazer insatisfeitos para protestos contra a situação. 

Al-Sisi melhorou a economia egípcia e apaziguou os ânimos em todas as áreas. O Ocidente o enxerga como alguém estável. Inclusive, Israel. Esta confiança externa poderá mantê-lo por mais anos.   


*Colaborou Nelson Burd

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