Perigoso engano e a expectativa de choques entre Israel e Hezbollah

Por Nahum Sirotsky | - Atualizada às

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Dois militares israelenses e um soldado das forças de paz da ONU foram mortos nesta quarta-feira (28)

Existe expectativa de choques entre Israel e Hezbollah, grupo xiita que domina o sul do Libano. Suas origens vêm de veteranos da guerra Afeganistão e Paquistão contra os soviéticos, na década de 1980.  

Desta vez, alega Israel ter cometido engano, que podia ter sido fatal. Aviões não tripulados, de sua fabricação, bombardearam, sem intenções maliciosas, um grupo de oficiais do Hezbollah e do exército iraniano, coligados com a Síria.  

Dentre os mortos, inclusive, um general do Irã. A expectativa foi de rápida resposta de Teerã. O Hezbollah lançou mísseis sobre Israel, fazendo vítimas militares. Houve réplica, mas não tamanha, pois se explicou que não havia a intenção de matar. Foi um equívoco.  

Foto do líder do Hezbollah, Sheik Hassan Nasrallah, entre escombros após explosão dupla no subúrbio de Beir Hassan, Beirute, Líbano
AP
Foto do líder do Hezbollah, Sheik Hassan Nasrallah, entre escombros após explosão dupla no subúrbio de Beir Hassan, Beirute, Líbano


Ambos os atos, erros, causaram vítimas. A expectativa de uma escalada não aconteceu ainda. Nenhum dos lados está preparado psicologicamente para uma guerra. Tudo isso aconteceu nas elevações do Golan, conquistadas por Israel, junto a Síria, em 1967. Desde então, na região, há cultura de uvas, produção de vinhos de qualidade internacional, cerejas, de gosto fantástico, entre outros.  

Foi nesta guerra de 67 que um velho senador do PSD, líder político do Rio Grande do Norte, acompanhou-me em uma visita a Tiberíades. Olhando para o Golan, pediu um suco de laranja, famoso na época. Disse, no momento, que nunca tinha visto uma batalha de verdade.  

Em poucos minutos, surgiu esquadra de aviões russos, de bandeira síria. Logo, resposta aérea israelense, com aeronaves francesas. O senador falou: que prestígio, Nahum. Muito Obrigado. Tomei como brincadeira. Só na volta a Tel Aviv, entendi que o comentário era sério.  

Israel não achou conveniente antecipar um choque mais decisivo com o Irã. A recíproca foi verdadeira. Aparentemente, a calma foi reestabelecida. Pelo menos, neste instante. Houve erro que ainda pode resultar em consequências trágicas. Mais um tiroteio, e o conflito poderia incluir outros países vizinhos. 

* Colaborou Nelson Burd

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