O ataque em Paris demonstrou, antes de tudo, que as políticas de governo não são o suficiente para deter o terrorismo

Escrevi nesta coluna no último dia 14 de novembro que "depois de Israel e Estados Unidos, o país com maior população judaica do mundo é a França. Preocupados com o antissemitismo crescente e ataques violentos a instituições, membros desta comunidade têm procurado novos horizontes". 

Polícia invade mercado judaico e mata terrorista; quatro reféns morrem

Mulher cola a frase
AP
Mulher cola a frase "Liberdade" na boca e desenha lápis para protestar contra o terrorismo

Antes: Explosões e tiros são ouvidos no local onde suspeitos mantêm reféns na França

Dois meses depois, Paris sofreu ataques terroristas. O último deles teve como alvo o mercado judaico Kasher, também em Paris, de comidas típicas da cultura israelita. Era sexta-feira, comecinho da tarde, e o local estava lotado de clientes que se abasteciam para o Shabat, o dia do descanso, pela tradição milenar.  

Sábado, o premiê israelense Benjamin Netanyahu dirigiu-se aos judeus franceses de forma direta: "Eu falo de Jerusalém. Aqui não é apenas o destino de vossas orações. É também a casa de vocês", sentenciou. Domingo, Netanyahu esteve ao lado de outros líderes mundiais durante manifestação em memória das vítimas do terrorismo.

O braço da Al-Qaeda no Iêmen logo reivindicou responsabilidade pelo atentado à revista Charlie Hebdo. No entanto, por agressividade inédita e audácia, a suspeita maior pesa sobre o Estado Islâmico, que está em guerra para conquistar o poder em todo o mundo árabe e reestabelecer o Califado.

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Basta ouvir seu nome para que tropas inteiras entrem em pânico, como ocorre no Iraque e Síria. Se confirmada sua autoria, passará a ser a força árabe mais temida em toda Europa, onde é numerosa a população muçulmana.  

O exemplo francês terá de ser considerado pelo seu real alcance. O atentado em Paris demonstrou, antes de tudo, que as políticas de governo não bastam para domar o terrorismo. 

* Colaborou Nelson Burd

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