Condenação histórica de ex-premiê é exemplo da justiça de Israel

Por Nahum Sirotsky - Correspondente em Israel |

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Ehud Olmert foi sentenciado e julgado por crime de corrupção; no país, polícia tem plena liberdade de investigar denúncias

Há semanas comentamos a condenação do ex-premiê de Israel Ehud Olmert pelo crime de corrupção. Fato inédito. Nesta posição, que corresponde a influência e domínio de setores do Estado, o indivíduo tem todos os meios possíveis de escapar impune dos excessos cometidos. O chefe de Governo é comandante das Forças Armadas, Polícia, Serviço Secreto e Imposto de Renda.

Abril: Israel é o primeiro país do Oriente Médio a condenar ex-premiê por corrupção

AP
Ex-premiê israelense Ehud Olmert sorri após ouvir veredicto em tribunal de Jerusalém (arquivo)


2009: Olmert se declara inocente de corrupção

Em Israel, porém, a polícia tem plena liberdade de investigar todas denúncias ou suspeitas. O primeiro ministro escolhe as pessoas a quem são atribuídos os poderes especiais em todos os campos. Não se escapa de pagar por quaisquer crimes que cometa pois as investigações vão até o fim.

O presidente de Israel é eleito pelo parlamento para mandato de 7 anos. Ele é figura símbolo do País. Em teoria, aquele com passado absolutamente limpo de pecados contra o interesse público.

Um ex-presidente israelense Moshe Katzav está cumprindo pena na prisão por ter abusado de seus poderes, quando ministro do Turismo, e abusado sexualmente de uma de suas secretárias. Ele estava tão confiante em sua absolvição que abriu mão de suas imunidades para provar inocência. A mulher, cujo nome nunca foi divulgado, levou o caso até o fim. O Supremo Tribunal em um país onde o julgamento não tem jurados não o perdoou.

Ehud Olmert, advogado brilhante, chegou a todos os postos importantes no Estado. Foi prefeito de Jerusalém e ascendeu a primeiro ministro, antes sendo vice de Ariel Sharon. Foi tão bem sucedido que, na primeira eleição para o cargo, foi o escolhido do povo. Mas os desvios que cometeu foram denunciados, investigados e confirmados pela Justiça. Ele recebeu propinas, inclusive em dinheiro vivo, quando estava na Prefeitura da capital, para liberar construção de comdomínio, em área inapropriada, segundo o Plano Diretor. Fala em um milhão de Shekels, equivalentes a 500 mil reais.

A sua secretária pessoal sabia de tudo e cumpria as ordens. O processo foi longo. No Supremo, ouviu sua pena acompanhado de humilhantes denúncias pelo seu comportamento. O mesmo povo por quem ele foi eleito apoiou a qualificação de "traição à confiança popular."

Seis anos foi a pena mínima que recebeu. Segundo a imprensa local, informações passadas pela secretária à polícia foram decisivas e determinantes. Em troca, recebeu prêmio reservado a delatores: as mais leves penas possíveis, previstas em leis.

Outros indivíduos também estão sendo punidos. Mas a questão é que, pela primeira vez, um chefe de Governo paga o preço por toda a sua vida pregressa, seus feitos e realizações positivas, como advogado e homem público. E vai entrar para a história, para que não se esqueça que a lei é tão igual a todos.

É uma tragédia que estará presente na consciência dos que disputam o poder político, em qualquer país, onde existam indivíduos que não perdoam nada do que possam evitar ou condenar. Roubar do povo é imperdoável.

*Com colaboração de Nelson Burd

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