Conflito e superação marcam os 66 anos da proclamação da independência de Israel

Por Nahum Sirotsky - correspondente em Israel |

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EUA eram contra a proclamação do novo Estado, temendo as invasões de forças árabes e o possível massacre dos habitantes

Terça-feira, 6 de maio. Pelo calendário hebraico, Israel comemora 66 anos da proclamação da sua indepedência. Viviam cerca de 600 mil judeus na área.

Cenário: A reconciliação palestina e a questão da paz com Israel

Reuters
Filhos de colonos judeus caminham perto de floresta no assentamento judaico de Bat Ayin, na Cisjordânia (30/04)


Negociações: Palestinos reavaliarão processo de negociação com Israel

Em 1947, com 22 anos, eu fui o primeiro jornalista brasileiro credenciado junto às Nações Unidas, nos Estados Unidos. O diplomata e estadista brasileiro Osvaldo Aranha era o presidente eleito da Assembléia Geral da ONU, então integrada por menos de 100 membros.

Foi naquele ano que se decidiu dividir o que restava da chamada Palestina, do Império Otomano, um dos maiores da história. Na primeira guerra mundial, seu imperador foi aliado da Alemanha, contra franceses e ingleses, reforçados pelos americanos.

Com a existência da Liga das Nações, foi feita a partilha dos impérios derrotados entre os vencedores. Os Estados Unidos foram o único país que não aceitaram colônia alguma.

Ignorante sobre quase tudo o que acontecia no mundo, recolhi, à época, a informação de que o departamento de Estado americano, tendo como chefe o general Marshall, se opunha fortemente aos desalentos proclamarem seu Estado, o primeiro depois da destruição de Jerusalém pelos romanos, há 2 mil anos. Marshall temia que no mesmo dia, forças árabes invadiriam a região, arrasariam o novo país e realizariam um massacre de seus habitantes.

Houve, realmente, invasão de tropas de vários países árabes, que chegaram às proximidades de Tel Aviv. David Ben Gurion, o líder judeu, disse ao seu povo: é agora o momento de proclamar Israel, ou nunca mais. O novo país não foi esmagado. A guerra terminou com armistício negociado por Ralph Bunch, o primeiro negro americano a receber tal missão.

No momento do cessar fogo, os habitantes de Israel acrescentaram novas terras, àquelas da partilha. Na festa da independência, são homenageados os mortos de cerca de seis guerras, além de longos períodos de conflitos com os árabes palestinos, como duas intifadas.

Na guerra de 1967, os israelenses conquistaram o deserto do Sinai e a área historicamente chamada de Judéia e Samária (Cisjordânia). Henry Kissinger, secretário de Estado americano, imaginou o esquema de trocas de terra por paz. Em 1979, Israel firmou com o Egito a devolução do Sinai, além do controle de margem do Canal de Suez.

A Cisjordânia, oferecida por Israel à Jordânia, no acordo de paz de 1994, foi recusada, pois o rei Hussein abriu mão, em prol da OLP, de Yasser Arafat. Lá, assentaram-se cerca de 400 mil judeus nos últimos 50 anos.

O aniversário da independência é também aquele de um conflito nunca concluído. No momento, as conversações de paz entre israelenses e palestinos continuarão, e chegarão a idéia inicial da partilha, que foi a da existência dos dois estado independentes, judeu e árabe.

A imaginada como solução definitiva do conflito inclui aceitação, como fato normal da região, a existência de Israel, o único estado não-muçulmano do Oriente Médio.

*Colaboração de Nelson Burd

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