Possibilidade de fim de sanções abre 'corrida do ouro' em direção ao Irã

Por Nahum Sirotsky - colunista em Israel |

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De olho em mercado, delegações de negócios visitam país, que alcançou acordo interino para parar programa nuclear

Na quinta-feira de 6 de fevereiro, a Embaixada do Brasil em Israel abriu as portas do local onde será reinstalado o Centro Cultural do Brasil, em que serão ministradas aulas de português, palestras, cinemateca, entre outras.

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O centro ainda não foi inaugurado, mas nem o Itamaraty nem a embaixada quiseram perder a oportunidade de lançar a edição em hebraico do livro “Victor, Gordão”, de Ziraldo. Há muito tempo não se produzia tradução de obra brasileira por aqui. Será um sucesso. Trata-se de um país onde o mercado de livros ainda é atraente. A maior das redes de livrarias tem mais de 100 filiais.

EFE/Arquivo
Usina nuclear de Bushehr, no Irã

É claro que não se trata de um evento de importância internacional, que supera a “corrida do ouro”, como a que ocorre em direção ao Irã. Depois do acordo interino com as potências internacionais, imensas delegações de homens de negócios, de todos cantos do mundo, estão buscando esse filão. O potencial do mercado iraniano é muito grande. É um país onde falta tudo no momento por causa das sanções impostas para convencer os persas a desistir da ideia do desenvolvimento e aplicação da tecnologia nuclear em todos os campos.

Janeiro: EUA e UE atenuam sanções após Irã começar a implementar acordo

De acordo com o que foi decidido, em especial pelos EUA, empresa alguma pode fechar negócios com o Irã antes da suspensões das sanções. Quem fizer isso, correrá o risco de forte punição das grandes potências ocidentais, pois estará desrespeitando o que é, na prática, uma lei. Muitos países ocidentais acreditam no que afirma o presidente iraniano Rouhani, que é diplomado por universidade britânica.

Saiba mais: Veja o infográfico sobre o mundo nuclear

Mas o poder no Irã depende do supremo líder religioso, aiatolá Khamenei, e de várias entidades, como a Guarda Revolucionária. Só depois de provas cabais de rechaço ao projeto nuclear é que as sanções poderão ser suspensas totalmente. As provas ainda não existem. Mas negócio é negócio. As delegações estão vindo para mostrar boa vontade e reatar contatos. Todos os países querem ser o primeiro. Ainda haverá muitas confusões até serem premiados pela ação de relações públicas que estão realizando.

Sempre recordo que não é fácil conhecer o Oriente Médio inteiro, sem exceções. O Irã, persa, é aliado da Síria, fator fundamental para sobrevivência do presidente Bashar Al-Assad, que combate uma rebelião em seu país com todos os meios possíveis, de destruição à matança. E já estão dizendo que, enquanto Assad se fortalece com apoio de Rússia e China, a oposição se enfraquece. Não está sendo nada simples derrubá-lo.

Aliás, o Iraque, um países onde os americanos tentaram criar uma democracia durante mais de sete anos de presença militar, também apoia a Síria por ser xiita. No Iraque, cresce a velocidade do conflito entre xiitas e sunitas. São centenas de mortos em atentados que deixaram de ter destaque na mídia internacional.

É óbvio que o secretário de Estado americano, John Kerry, entende de política e diplomacia, mas ainda não conseguiu compreender os povos locais do Oriente Médio, onde há várias missões a cumprir, como promever a paz entre palestinos e Israel, suspender a carnifica na Síria e fortalecer o setor democrático do Egito.

*Com colaboração de Nelson Burd

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