Bomba atômica é blefe ou ameaça real do Irã?

Por Nahum Sirotsky |

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Qualquer tempo que seja, acredita Israel, será aproveitado pelos iranianos para desenvolver tecnologia atômica

O premiê israelense, Biniamin Netanyahu, deu um pulo a Moscou para tentar convencer o presidente russo, Vladimir Putin, a não aceitar o acordo com os iranianos. Foi muito bem recebido, mas não obteve o desejado. Na saída, recebeu informação de assessor, sobre declaração atribuída a Ali Khamenei, Chefe Supremo do Conselho dos Aiatolás do Irã: os judeus de Israel são como vira-latas e nem merecem existir.

A resposta de Netanyahu foi imediata: o jogo do Irã em Genebra objetiva apenas ter a sua arma. O Irã não terá a bomba atômica de jeito nenhum. Assim, reforçou o compromisso de não permitir que os iranianos desenvolvam seu projeto nuclear.

Os países árabes do Oriente Médio, na maioria praticantes da seita Sunita, temem um Irã xiita atômico, mas não o dizem. A Arábia Saudita, o mais rico de todos, tem este receio, já manifestado a quem devia. Entretanto, publicamente, se cala, pois não quer incomodar seu poderoso vizinho radical.

Quinta-feira, incidente em um café de Bagdá novamente demonstrou a incompatibilidade entre xiitas e sunitas. Um homem-bomba se explodiu, enquanto civis bebiam tranquilamente. Resultado: 30 mortos e número não divulgado de feridos.

Em Genebra, onde cinco países com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, além da Alemanha, encaminham acordo interino com o Irã, que teria prazo de alguns meses para provar, definitivamente, não estar enriquecendo urânio, para combustível de armas nucleares. Qualquer tempo que seja, acredita Israel, será aproveitado pelos iranianos para continuar o desenvolvimento da tecnologia atômica.

Netanyahu não é de assumir compromisso em vão, mas, como venho observando ultimamente, a nova onda que vai englobando todas as nações mais avançadas é a de resolver todas querelas por meios pacíficos e diplomáticos. A Europa não quer guerra. Obama, também. Os chineses vão conquistando força, por meio de acordos que fecham na Ásia, América do Sul e África.

A dúvida será angustiante nos próximos meses, sobre se o Irã ameaça os judeus de Israel apenas como retórica, ou para valer. Se o que dizem os Aiatolás é o que prometem realizar, o Oriente Médio será a cena do que Henry Kissinger, ainda simples professor de universidade americana, escreveu como seu primeiro livro de maior repercussão: pensando sobre o impensável.

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