Nagasaki lembra aniversário de bomba atômica com mensagem antinuclear

Prefeito da cidade pediu para que o país utilize fontes renováveis de energia. Pela 1ª vez, um representante dos EUA esteve na cerimônia

EFE |

Nagasaki lembrou nesta terça-feira o 66º aniversário do bombardeio atômico que matou 70 mil imediatamente - número que passou para 143 mil nos anos seguintes por doenças relacionadas à radiação -, com uma chamada em favor da energia renovável em lugar da nuclear. Pela primeira vez, um representante dos Estados Unidos participou da cerimônia na cidade. No ano passado, no 65º aniversário dos ataques, um enviado americano havia participado pela primeira vez de uma cerimônia em Hiroshima , atingida por uma bomba atômica três dias antes de Nagasaki.

Às 11h locais (23h de segunda-feira em Brasília), o exato momento em que a bomba "Fat Man" explodiu sobre Nagasaki, os sinos lembraram no Parque da Paz as vítimas do segundo ataque nuclear da história.

Além do encarregado de negócios da embaixada americana no Japão, James P. Zumwalt, assistiram à cerimônia o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, e representantes de outros 45 países.

Durante sua Declaração pela Paz, o prefeito de Nagasaki, Tomihisa Taue, referiu-se ao acidente na usina nuclear de Fukushima, causado pela terremoto seguido de tsunami de 11 de março,  manifestando sua incredulidade de ter acontecido em um país cujo compromisso é o de "não mais hibakusha" (como são conhecidas no Japão as vítimas da bomba atômica).

"Não importa quanto tempo leve, é necessário promover o desenvolvimento das energias renováveis em lugar da energia nuclear para nos tornamos uma sociedade com uma base energética mais segura", disse Taue à sombra da famosa estátua pela paz esculpida por Seibou Kitamura.

O prefeito também pediu aos países detentores de armas atômicas o fim da proliferação nuclear e exortou o governo japonês a se esforçar para alcançar esse objetivo e aplicar medidas de alívio com relação à realidade dos sobreviventes da bomba atômica, muitos deles idosos. Em março, o número de sobreviventes da bomba atômica reconhecidos oficialmente pela cidade era de 40.908, com uma idade média de 76,8 anos.

O primeiro-ministro do Japão defendeu, assim como há três dias na cerimônia que lembrou o bombardeio atômico de Hiroshima, a redução da dependência japonesa com relação à energia nuclear e uma investigação a fundo sobre as causas do acidente na usina de Fukushima.

Kan voltou a defender em seu discurso os três princípios não nucleares do Japão (não possuir, produzir ou introduzir armas atômicas no país), ao tempo que destacou o compromisso da nação asiática para liderar os debates globais que buscam acabar com a proliferação nuclear.

AP
Idosa homenageia vítimas do bombardeio atômico em frente à estátua da paz, em Nagasaki

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