Nações nucleares abrem caminho para polêmico acordo Índia-EUA

Por Mark Heinrich VIENA (Reuters) - Quarenta e cinco nações aprovaram neste sábado uma proposta dos Estados Unidos para suspender o embargo global no comércio nuclear com a Índia, em um avanço que deve abrir espaço para um polêmico acordo de energia atômica entre os EUA e o país asiático.

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A entrada em vigor do acordo entre os dois países ainda depende da ratificação do Congresso norte-americano. A casa precisa deliberar sobre o assunto antes de suspender seus trabalhos no final de setembro para as eleições presidenciais, ou o acordo pode ficar à mercê de um destino incerto sob um novo governo a partir de janeiro de 2009.

O acordo EUA-Índia despertou a desconfiança mundial, já que a Índia rejeitou o quase universalmente adotado Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), destinado a interromper o avanço e a produção de armas nucleares e requerer o desarmamento gradual, além de solicitar um pacto de proibição de testes.

Washington diz que o acordo de combustível e tecnologia forjaria uma parceria estratégica com a maior democracia do mundo, ajudaria a Índia a cumprir metas urgentes de demanda energética de forma ambientalmente segura e abriria um mercado nuclear no valor de bilhões de dólares.

As nações do Grupo de Fornecedores Nucleares (NSG na sigla em inglês) adotaram uma cláusula de dispensa que lhes permite fazer negócios com a Índia depois que vários Estados do grupo concordaram, sob forte pressão americana, a suavizar a linguagem que vinham utilizando para garantir que a Índia não teste bombas novamente.

Após duas semanas de encontros e consultas à distância, a resistência à dispensa finalmente cedeu, quando seis Estados aceitaram relutantemente uma declaração indiana na sexta-feira reforçando seu compromisso com uma moratória a testes voluntários.

A declaração também diz que a Índia --cujo rival regional, o Paquistão, igualmente possui arsenal nuclear fora do TNP--, não irá fazer parte de nenhuma corrida nuclear no futuro, permitirá inspeções mais amplas da ONU e aderirá ao regime de controle de exportação anti-proliferação do NSG.

O consenso no NSG também se baseou em 'uma série de entendimentos' contra exportações de tecnologia de enriquecimento de combustível capaz de produzir energia pacífica ou bombas, disseram diplomatas.

O primeiro-ministro indiano Manmohan Singh recebeu as notícias da cláusula de dispensa com deleite, dizendo que 'esta é uma decisão histórica e progressista'.

'Ela marca o fim de décadas de isolamento da Índia do progresso nuclear e do regime de recusa de tecnologia', disse ele em declaração oficial. 'A abertura da plena cooperação nuclear civil entre a Índia e a comunidade internacional será boa para a Índia e para o mundo.'

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