Nações do Pacífico iniciam reunião sobre crise, com G8 em foco

Por Marco Aquino e Louise Egan TRUJILLO, Peru (Reuters) - As principais autoridades econômicas de países da região do Pacífico deram início nesta quarta-feira a um encontro, no Peru, que pode ajudar a estabelecer as bases para uma reestruturação da arquitetura financeira do mundo.

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Estarão presentes ao encontro de dois dias, na cidade peruana de Trujillo, autoridades do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês), que inclui uma ampla gama de nações, como Estados Unidos e Canadá, pesos-pesados asiáticos como China e Coréia do Sul, além de México e Chile, as economias mais abertas da América Latina.

Os planos de ação formulados neste encontro podem ajudar a definir os parâmetros para a reunião de líderes mundiais que acontecerá em Washington, nos dias 14 e 15 de novembro, convocada para explorar as possibilidades de reforma da arquitetura financeira mundial, que é dominada por instituições estabelecidas após a Segunda Guerra Mundial.

No encontro no Peru, o Banco Mundial irá pedir uma expansão do clube que reúne as nações mais desenvolvidas do mundo, o chamado G8, para incluir economias de rápida expansão como China, Índia, Brasil, México, Arábia Saudita e África do Sul.

"A idéia de um G8 acrescido desses seis países representa 62 por cento do PIB (Produto Interno Bruto) global", afirmou Juan Jose Daboub, diretor-gerente do Banco Mundial.

"Estes são os países que mais podem atuar, que podem tomar medidas de ajuda, portanto, é importante que eles estejam à mesa quando decisões forem tomadas."

O G8 inclui EUA, Canadá, Japão e Rússia --que estão representados no encontro em Trujillo. Os outros membros são Grã-Bretanha, Alemanha, França e Itália. O G8, em seus encontros anuais, tenta estabelecer o melhor caminho para a economia mundial.

Daboub disse que o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, vai levar a proposta de expansão do G8 à reunião de líderes em Washington, que acontece sob a tutela do G20, grupo das 20 economias mais industrializadas do planeta.

O principal defensor de uma reforma da estrutura financeira do mundo é o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que disse que as economias emergentes mais ricas devem apresentar contribuições para o Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar as nações em desenvolvimento mais pobres.

O encontro de Washington é visto como uma possível oportunidade para reestruturar instituições financeiras como o Banco Mundial, criado após o encontro de Bretton Woods, em New Hampshire, em 1944.

PRÓXIMA PARADA: SÃO PAULO

De Trujillo, no norte do Peru, diversas autoridades seguirão para São Paulo, para encontros do G20 e do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), o banco central dos bancos centrais.

Os dois encontros na capital financeira do Brasil podem dar uma luz sobre a agenda da reunião em Washington.

O objetivo inicial do encontro de autoridades financeiras da Apec era estabelecer as bases para o encontro de líderes do Fórum que acontecerá em Lima entre os dias 19 e 23 de novembro. Mas o encontro, marcado com muita antecedência, acabou coincidindo com as turbulências vividas pelos mercados.

Ao redor de todo o mundo, os pedidos por ajuda e reformas se intensificaram à medida que os mercados de ações e dívida despencaram este ano --o que forçou os principais bancos centrais a injetar bilhões de dólares no sistema financeiro para evitar um colapso do crédito, que começou a sofrer a partir da crise de hipotecas de alto risco (subprime) nos EUA.

A Apec defende, historicamente, o livre-comércio e a liberdade dos mercados, mas alguns membros querem agora adotar regras mais rígidas.

Diversos membros do Fórum --da Rússia ao México, passando por países da Ásia-- sofreram crises severas no final da década de 1990 e, apesar de estarem em situação melhor agora, os pesadelos do passado ainda os amedronta.

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