CAIRO, Egito - A falta global de alimentos coloca o Oriente Médio e a África numa situação difícil, uma vez que essas regiões precisam optar entre o cultivo de mais colheitas para alimentar sua crescente população ou preservar sua já escassa reserva de água.

Durante décadas nações da região drenaram leitos subterrâneos, tiraram o sal da água do mar e transpuseram o poderoso Nilo para fazer o deserto florescer. Mas esses projetos eram tão caros e usavam tanta água que importar os alimentos se tornou muito mais prático do que produzi-los. Hoje, alguns países importam 90%, ou mais, de seus estoques.

Agora, a crise mundial de alimentos faz com que muitos países dessa região politicamente volátil repensem sua estratégia.

A população da região quadruplicou desde 1950, hoje com 364 milhões de pessoas, deve chegar a quase 600 milhões até 2050. Até lá, a quantidade de água fresca disponível por pessoa, já escassa, será cortada pela metade e o declínio dos recursos pode inflamar ainda mais as tensões políticas.

"Os países da região estão no meio dos problemas do aumento no preço dos alimentos e o contínuo declínio do suprimento de água per capita", disse Alan R. Richards, professor de economia e estudos ambientais da Universidade da Califórnia, Santa Cruz. "Não há uma solução simples para isso".

Perdendo confiança nos mercados mundiais, essas nações voltaram a confiar em caros projetos para manter seu estoque de alimentos.

O Djibouti cresce arroz em estufas mantidas com energia solar, irrigadas com água do leito subterrâneo e resfriada com água do mar, em um projeto que produz o que o economista Ruslan Yemtsov do Banco Mundial chama de "provavelmente o arroz mais caro da Terra".

Diversas nações ricas em petróleo, como a Arábia Saudita, começaram a procurar por terras para cultivo em países férteis mas politicamente instáveis como o Paquistão e o Sudão.

Os economistas dizem que ao invés de buscar a auto-suficiência em alimentos, países dessa região deveriam cultivar vegetais ou flores, que não exigem muita água e podem ser exportados com lucro garantido.

Doron Ovits tem um império de 60 hectares de tomate e pimenta no deserto de Negev, em Israel. Sua plantação é irrigada com água de esgoto tratada que, segundo ele, é tão pura que precisa receber alguns minerais de volta. A água é enviada através de canos gotejantes cobertos com plástico negro para prevenir a evaporação.

"Com a irrigação por gotas se economiza dinheiro, além de ser um processo mais preciso", ele disse. "Não se pode tratar essa colheita como um fazendeiro. É preciso tratá-la como um homem de negócios".

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