Nacionalistas apoiam Netanyahu, mas pedem frente ampla em Israel

Jerusalém, 19 fev (EFE).- O ex-primeiro-ministro e líder do partido conservador Likud, Benjamin Netanyahu, ganhou hoje o direito de formar o próximo Governo de Israel, após receber o apoio de Avigdor Lieberman, dirigente do ultranacionalista Yisrael Beiteinu, mas terá que dobrar sua exigência por uma frente ampla de coalizão.

EFE |

Desta forma, Lieberman fechou uma porta e abriu outra à ministra das Relações Exteriores e líder do centrista Kadima, Tzipi Livni, que disputava com Netanyahu o direito de formar o novo Governo, após seu vencer partido vencer as eleições por uma vantagem mínima, que lhe deu apenas uma vaga a mais no Parlamento -28 a 27.

Com o placar apertado, a decisão acabou dependendo do Yisrael Beiteinu, terceiro na votação de 10 de fevereiro, obtendo 15 cadeiras e o apoio ao Likud acabou sendo uma opção natural, dada a tendência de direita de ambos os partidos.

Lieberman, no entanto, condicionou seu apoio a que Netanyahu forme "um Governo amplo", integrado pelos três partidos mais votados; Kadima (28 deputados), Likud (27) e Yisrael Beiteinu (15).

Por enquanto, Livni fecha a porta aberta, ao se opor à coalizão proposta -curiosamente, pouco depois de cortejar o Yisrael Beiteinu em busca de apoio.

"O Kadima representa várias coisas, entre elas o avanço no processo de paz, e não servirá de álibi para um Governo 'de paralisia'", afirmou Livni, em alusão à oposição de Netanyahu e de Lieberman a ampliar a negociação com os palestinos.

"Não fomos escolhidos para legitimar um Governo de extrema-direita, devemos ser uma alternativa de esperança e iremos para a oposição", declarou a ministra, que informou sua decisão aos 80 mil integrantes do Kadima por uma mensagem telefônica.

Logo, o que ela não explicou, porém, foi que Governo esperava formar ao procurar Lieberman nos últimos dias para tentar ganhar seu apoio.

Ao mesmo tempo, um destacado membro de seu partido, o ministro das Finanças, Roni Baron, afirmou que o próximo Governo terá um caráter "extremista", e que será "o mais curto da história de Israel" no sentido que não terá estabilidade suficiente, "pois será refém da extrema-direita".

A determinação de Livni para que seu partido passe à oposição praticamente garante a Netanyahu a possibilidade de formar o Governo, uma incumbência que cabe, no entanto, ao presidente israelense, Shimon Peres.

Peres deve completar amanhã a rodada de contatos com os líderes dos 12 partidos políticos que integrarão o futuro Parlamento (Knesset), de 120 deputados, e depois divulgará sua decisão.

Segundo funcionários da Presidência israelense afirmaram à Agência Efe, o chefe do Estado pode se reunir amanhã com Netanyahu e Livni, antes de fechar sua posição final, que poderá anunciar no sábado à noite ou no domingo.

Assim que Peres conceder ao candidato escolhido o direito de formar o Governo, ele terá quatro semanas para combinar uma coalizão, e mais duas adicionais, caso as requeira.

Uma coalizão encabeçada por Likud e Yisrael Beiteinu pode contar ainda com o ultraortodoxo Shas, que também apoiou Netanyahu para voltar ao cargo primeiro-ministro, que ele já exerceu entre 1996 e 1998.

Apesar de o Kadima obter mais cadeiras individualmente, os partidos de direita conseguiram, juntos, o direito de indicar 65 deputados -mais da metade do Parlamento-, em seu melhor resultado nos 60 anos de existência de Israel.

Desta forma, eles minaram a pretensão de Livni se tornar a primeira-ministra.

Os aliados a priori de Livni, o Partido Trabalhista e o pacifista Meretz, decidiram não recomendá-la como primeira-ministra a Peres, após ela cortejar, nos últimos dias, o Yisrael Beiteinu, intransigente com as reivindicações nacionais palestinas e acusado de racista pelo centro-esquerda, onde a ministra tem seu nicho ideológico natural. EFE db/jp

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