Juan Lara. Roma, 10 abr (EFE).- O papa Bento XVI presidiu nesta Sexta-Feira Santa, no Coliseu de Roma, a Via-Sacra, na qual disse que o rosto de Cristo se reflete nas pessoas humilhadas e doentes, e onde reiterou sua solidariedade às vítimas do terremoto que assolou a Itália.

"Rezem com todos os que sofrem pelo terremoto de L'Aquila, rezem para que nesta noite escura apareça a estrela da esperança", afirmou o papa.

Como em anos anteriores e para não se cansar muito, o papa não levou a cruz durante as 14 estações, presidindo a cerimônia da colina do Palatino, diante do Coliseu, onde fez um discurso em que ressaltou que Cristo mudou o mundo "não matando outros, mas deixando que o matassem em uma cruz".

"Cristo morreu na cruz por amor", afirmou o pontífice, que frisou que o rosto do homem "que carregou sobre si todas as angústias mortais" se reflete hoje "no de cada pessoa humilhada e ofendida, doente ou que sofre, só, abandonada e desprezada".

As meditações das estações foram escritas pelo arcebispo indiano Thomas Menamparampil, que denunciou nas mesmas perseguições contra cristãos, a dessacralização da vida pública, a opressão da mulher e as várias mazelas que seguem havendo no mundo.

Em belos textos, o arcebispo escreveu que onde as mulheres têm seu papel diminuído, as sociedades não conseguirão avançar e alcançar sua autêntica potencialidade.

"Onde as mulheres são marginalizadas, ignoradas ou esquecidas, o futuro é incerto", destacou na meditação sobre a nona estação, dedicada a "Jesus encontra as mulheres de Jerusalém".

Menamparampil disse que também nesses tempos segue havendo mártires da Igreja, pessoas perseguidas, como ocorreu nos últimos tempos no estado indiano de Orissa, onde foram assassinados alguns cristãos.

O prelado denunciou os conflitos entre grupos étnicos ou religiosos, nações, interesses econômicos e políticos e ressaltou que o enfrentamento e a violência não são a resposta certa, mas sim o amor, a persuasão e a reconciliação.

Lançando mão da figura de Pilatos, Menamparampil disse que na sociedade atual há muitos "pilatos" que lavam as mãos e tomam decisões "por oportunismo".

O indiano denunciou que na vida pública atual tudo corre o risco de ser dessacralizado: pessoas, lugares, preces, palavras, escritos sagrados, fórmulas religiosas, símbolos e cerimônias.

"A vida social está cada vez está mais secularizada e o sagrado cancelado e assim vemos que os assuntos mais importantes são colocados entre a inércia e a mediocridade", assinalou.

O religioso pediu a Deus que apóie os pobres, os menos privilegiados, os marginalizados, os favelados, os famintos, os intocáveis e os incapacitados. O arcebispo pôs como exemplo a madre Teresa de Calcutá.

A Via-Sacra percorre o interior do Coliseu - o famoso anfiteatro Flavio, que lembra o sofrimento dos primeiros cristãos -, segue por diante do Arco de Trajano e termina na colina do Palatino.

O cardeal vigário de Roma, Agostino Vallini, levou a cruz na primeira e na 14ª estação.

Depois, o símbolo dos cristãos foi levado por um jovem deficiente físico, uma família romana, um doente acompanhado de um padioleiro e uma freira; uma moça asiática e duas freiras indianas, dois jovens de Burkina Fasso, além de dois frades.

A Via-Sacra do Coliseu foi instaurada em 1741 por ordem de Bento XIV. Após décadas de esquecimento, em 1925 voltou a ser celebrada e, em 1964, o pontífice Paulo VI foi ao anfiteatro para presidi-la.

Desde então, todos os anos o papa presencia o evento. EFE JL/rr

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