Na véspera de saída do Iraque, Obama visita soldados feridos

Presidente americano foi ao hospital militar Walter-Reed, em Washington. Na terça-feira, discurso marca fim da missão de combate

iG São Paulo |

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, visitou soldados feridos em combate nesta segunda-feira, um dia antes de um pronunciamento que marcará o fim da missão de combate dos Estados Unidos no Iraque. Obama foi ao hospital militar Walter-Reed, no norte da capital Washington, acompanhado por alguns jornalistas não autorizados, no entanto, a entrar no prédio com o presidente.

A partir da próxima quarta-feira, os militares americanos que continuarem no Iraque serão encarregados "de aconselhar e ajudar" o Exército iraquiano.

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Médicos ajudam soldado americano ferido em combate, em hospital militar em Bagdá
Apesar de terem colado fim à Guerra do Iraque, agora os EUA têm o desafio de atender aos milhares de soldados que retornaram mutilados e com traumas psicológicos. Ao lado da do Afeganistão, a guerra do Iraque se transformou junto com a do Afeganistão na guerra mais longa na qual se viu envolvido os EUA e uma das de maior custo econômico e humano, com quase US$ 900 bilhões investidos e 4,2 mil soldados mortos.

Pronunciamento

Na terça-feira, Obama se dirigirá à nação, no horário de maior audiência, para anunciar o fim das missões de combate das forças americanas no país árabe, embora durante 50 mil soldados permanecerão por alguns meses para treinar as forças iraquianas.

O retorno das tropas impõe o desafio ao governo de atender a uma legião de veteranos que após combater na frente, procura reiniciar a vida que deixou ao partir. "Nenhum soldado volta da guerra sendo a mesma pessoa que saiu de casa. Sempre retornam diferentes, raras vezes para melhor, e muitas famílias não os reconhecem", disse à agência Efe o presidente de veteranos pela paz, Mike Ferner, quem destacou as dificuldades que têm para recuperar sua vida anterior. "Os homens e mulheres que voltam da guerra, ainda não têm problemas de saúde, têm enormes dificuldades para encontrar trabalho, ainda mais na atual situação econômica", apontou.

Nos últimos sete anos, quase 1,5 milhão de homens e mulheres serviram nesta guerra que, em seus momentos de maior intensidade, chegou a ter deslocados 171 mil soldados. Cerca de 30 mil retornaram com ferimentos físicos e lesões psicológicas.

Por isso, os veteranos esperam que Obama, como fez em seu discurso por rádio no sábado, se comprometa amanhã a colocar todos os recursos disponíveis para evitar que os veteranos fiquem à margem da sociedade.

No sábado, Obama reconheceu que o maior problema são os soldados que sofrem lesões cerebrais e estresse pós-traumático (PTSD, na sigla em inglês), dado que "poucos recebem o diagnóstico e cuidados adequados".  Mas "estamos mudando isso", disse Obama, ao lembrar que o governo está investindo recursos no tratamento e atenção dos doentes e em tratamentos para reduzir a alta taxa de suicídios.

Problemas mentais

Cerca de 30% dos soldados que retornaram do Iraque sofrem de problemas mentais graves após terem presenciado mortes, mutilações, combates e a tensão constante de viver em uma zona de guerra.

Um estudo da revista Military Medicine aponta que 62% dos soldados que retornaram receberam ou precisam de tratamento psicológico; 6% mostram síndrome de estresse pós-traumático e 27% passaram a abusar de álcool.

Os traumas psicológicos não são o único obstáculo enfrentado pelos soldados ao voltar ao país, que segue sofrendo as conseqüências da pior crise econômica desde a Grande Depressão iniciada em 1929. "O maior problema que eu vejo agora é que os veteranos voltam e muito não encontrarão seus empregos", disse Tracy Handschuh da Operation Homefront, um grupo que ajuda aos militares na solução de suas emergências financeiras.

Apesar de as empresas terem obrigação legal de manterem os postos de trabalho dos reservistas quando estes são enviados a missões no exterior "isso não funciona se a companhia fechou durante a recessão", comentou Handschuh, quem acrescentou que "quando o soldado volte talvez o emprego já não exista mais".

Repetição

Uma característica da Guerra do Iraque foi o envio repetitivo das mesmas tropas à zona de guerra.
Ao menos tempo 57% dos membros em serviço ativo das Forças Armadas dos EUA (excluindo os reservistas) serviram em torno da área de combate e 31% retornaram ao menos para uma segunda temporada.

"As missões de um ano colocam à prova os soldados, mesmo que sua moral esteja boa", comentou o inspetor-geral de Saúde do Exército, tenente-general Kevin Kiley. "Mas quando os soldados vão para uma segunda ou uma terceira missão, o impacto é bem maior", acrescentou.

*Com AFP e EFE

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