Na véspera da posse no Irã, oposição promete manter pressão

Por Parisa Hafezi TEERÃ (Reuters) - O importante candidato presidencial derrotado na eleição do Irã Mehdi Karoubi prometeu nesta terça-feira manter a pressão sobre o presidente Mahmoud Ahmadinejad, cuja reeleição desencadeou os piores distúrbios no país desde a Revolução Islâmica de 1979.

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Ahmadinejad fará o juramento de posse do segundo mandato na quarta-feira, no Parlamento, dia em que as autoridades tentarão evitar qualquer repetição dos protestos de rua que ocorreram depois da controvertida eleição de 12 de junho, os quais resultaram na morte de pelo menos 20 pessoas e na prisão de centenas.

Políticos moderados proeminentes acusaram o governo de ter fraudado a eleição e já afirmaram que o próximo mandato de Ahmadinejad é "ilegal". A primeira-ministra (chanceler) alemã, Angela Merkel, resumiu nesta terça-feira a posição de alguns países ocidentais.

"Diante das circunstâncias da controversa reeleição, a chanceler não escreverá, como é de praxe, a costumeira carta de congratulações", disse um porta-voz do governo alemão. França, Estados Unidos e Grã-Bretanha também informaram que vão adotar postura semelhante.

O governo iraniano diz que a eleição foi justa e transparente e acusou países ocidentais, em especial a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, de serem cúmplices da sangrenta agitação pós-eleitoral, acusação que eles negam.

Dois ex-presidentes, Akbar Hashemi Rafsanjani e Mohammad Khatami, que apoiaram o candidato derrotado Mirhossein Mousavi, boicotaram na segunda-feira a cerimônia de endosso do presidente pelo líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, embora tenham comparecido nesses eventos após eleições anteriores.

Depois da cerimônia, uma testemunha disse que centenas de partidários de Mousavi, entre os quais motoristas que buzinavam, se reuniram perto de uma praça central de Teerã, onde a polícia antimotim e a milícia Basij estavam concentradas para prevenir qualquer manifestação.

"NÃO DESISTIMOS"

Segundo publicou nesta terça-feira o diário espanhol El País, Karoubi, o mais liberal dos candidatos presidenciais derrotados por Ahmadinejad, declarou que ele e Mousavi nunca irão capitular.

"Nem eu nem Mousavi desistimos. Vamos continuar a protestar e nunca iremos colaborar com esse governo. Não vamos prejudicá-lo, mas criticaremos o que fizer", disse Karoubi em uma entrevista ao jornal.

"Honestamente, se as autoridades tivessem agido de modo diferente, nós nunca teríamos esses problemas porque a maioria dos que protestaram só fizeram isso por essa razão."

As credenciais de Mousavi como um servidor leal da revolução iraniana podem ajudar a explicar por que ele escapou de ser preso por liderar protestos contra uma eleição que diz ter sido roubada para manter Ahmadinejad no poder.

O político moderado de 68 anos pode não ter carisma, mas não lhe falta coragem. Ele tem criticado as autoridades pelo modo como conduziram a eleição e os tumultos que se seguiram. Chegou até a desafiar seu parente, o aiatolá Ali Khamenei, que apoiou Ahmadinejad.

"O que lhe tem rendido a apreciação do público é o fato de ter-se mantido firme em sua oposição, ao contrário do ex-presidente (Mohammad) Khatami, que relutaria em enfrentar Khamenei e outros", disse Mehrzad Boroujerdi, especialista em Irã na Syracuse University, em Nova York.

Mousavi exigiu anteriormente que as eleições fossem anuladas, mas pode precisar de um novo objetivo depois que Ahmadinejad tomar posse.

O presidente iraniano tem pela frente agora a difícil tarefa de formar um gabinete que seja aceitável ao Parlamento, de maioria conservadora e que pode fazer objeções se ele escolher apenas membros de seu círculo mais próximo. Em ocasiões anteriores o Parlamento rejeitou nomes indicados por Ahmadinejad.

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