Na Síria, Sarkozy tenta aumentar influência francesa no Oriente Médio

O presidente Nicolas Sarkozy concluiu nesta quinta-feira uma visita a Damasco onde tentou aumentar o peso da França no Oriente Médio, mas seus esforços foram comprometidos pelas conturbadas relações entre Síria e Israel e pelo desafio do programa nuclear iraniano.

AFP |

O presidente francês, que também é o presidente em exercício do Conselho Europeu, concluiu a sua visita de dois dias - a primeira de um chefe de Estado ocidental depois de cinco anos - para uma reunião a quatro: França, Síria, Qatar e Turquia.

Sarkozy aproveitou a oportunidade para lançar um alerta ao Irã.

"O Irã assume um risco grande ao continuar o processo de produção de armamento nuclear militar - o que é a nossa certeza - porque um dia, seja qual for o governo israelense, certa manhã podemos acordar e ver que Israel atacou", declarou.

"Não se trata de saber se isso é legítimo, inteligente ou não. O que poderemos fazer nesse momento? Porque será a catástrofe. É preciso evitar essa catástrofe", insistiu.

Durante essa pequena reunião de cúpula de uma hora foram abordados, além da questão iraniana, as negociações entre sírios e israelenses intermediadas pela Turquia, e também as relações entre Síria e Líbano.

Segundo Sarkozy, "não é loucura se ocupar de todos os conflitos da região ao mesmo tempo. Creio que, ao contrário, é sábio, pois todos estão ligados, são interdependentes", disse.

O chefe de Estado francês espera fazer que França e UE possam pesar, ao lado dos Estados Unidos, na resolução dos conflitos no Oriente Médio.

Ele pediu que a Síria "desempenhe um papel importante para convencer" o Irã a abandonar seu programa nuclear militar.

Mas o próprio Sakozy parece ter tido dificuldades para convencer seu interlocutor, já que o presidente sírio Bachar al-Assad se manteve firme em sua posição ao dizer que o programa nuclear iraniano é "civil" e "não militar".

Outra dificuldade: as negociações - indiretas - entre Israel e a Síria foram retomadas em maio após um intervalo de oito anos.

Uma 5ª rodada prevista para domingo em Istambul foi adiada em razão da destituição de um negociador israelense, segundo Damasco, e do anúncio de uma demissão iminente do primeiro-ministro Ehud Olmert, envolvido em questões judiciárias, deixando no ar uma certa incerteza quanto ao futuro.

O primeiro-ministro turco, Recip Tayyip Erdogan, se disse "convencido de que o sucessor de Olmert vai manter esse processo".

Ele acrescentou que a 5ª sessão de negociações será realizada nos dias 18-19 de setembro. "No momento, esse processo avança de maneira positiva", disse.

O presidente Al-Assad propôs à França que apóie o processo de paz que deve resolver a questão central das Colinas de Golã anexadas por Israel e Sarkozy respondeu que a França estará "disponível para ajudar nas negociações diretas de maneira diplomática, política, econômica, militar" quando elas começassem.

Entretanto, o presidente Al-Assad afirmou que isso seria possível apenas após a chegada ao poder de um novo primeiro-ministro israelense e "de um novo governo americano convencido do processo de paz", ressaltando o "papel importante" dos Estados Unidos na região.

Damasco e Washington não mantêm boas relações, o governo de George W. Bush acusa a Síria de dar suporte ao terrorismo apoiando o Hezbollah libanês e facilitando a infiltração de insurgentes estrangeiros no Iraque.

Israel havia manifestado na quarta-feira suas reticências em relação a uma contribuição da UE para fazer que as negociações com a Síria progridam e pediu que "preste muita atenção em seus relatórios sobre" Damasco.

Por fim, em relação a sírios e libaneses, Sarkozy, que havia iniciado uma reaproximação ao receber no dia 12 de julho em Paris seus dois presidentes, desejou que sua promessa de estabelecer relações diplomáticas se traduza "em fatos".

Al-Assad afirmou que a situação ao Líbano, país sobre o qual a Síria exerceu uma tutela durante trinta anos, ainda era "precária".

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